Freud explica


figueiredo

15 de março foi a data instituída, por Emenda Constitucional, para o revezamento dos generais que usurparam o poder em 1964. A escolha dessa data pelos golpistas de plantão não é gratuita.

Se considerarmos, no caso do Rio de Janeiro, que a manifestação do ódio vai se concentração no quiosque que a Rede Globo montou na praia de Copacabana e que a dispersão será no Copacabana Palace, temos três bons motivos para desconfiar de qualquer boa intenção que possa estar oculta nessa ação. Não duvido que a manifestação será multitudinária e que será muito bem explorada midiaticamente. Motivos há, de sobra, para o descontentamento geral. Um partido que teve a capacidade, em nome da governabilidade, de jogar por terra princípios básicos de convivência democrática vai penar para administrar a crise que se abre nestes primeiros setenta dias de governo. Se inclusão social acirrou o mal estar dos setores dominantes, defensores de um modelo hierárquico, desigual, excludente, de sociedade, a continuação da roubalheira, institucionalizada desde sempre, alimentou esse desejo de apear do poder o partido que teve a ousadia de incluir e a petulância de imaginar que a lógica ademarista do rouba mas faz poderia continuar vigente.

Esse mal-estar na civilização que se quer erradicar com projetos golpistas aplaudidos por uma sociedade que aceita de bom grado a ideia da ordem, particularmente, me assusta. Já vi esse filme antes, muitas vezes, no final todos perdemos.

A simples evocação dos fantasmas uniformados do passado me leva a procurar uma explicação e, para explicar, ninguém melhor que Freud: Os homens são criaturas “entre cujos dotes instintivos deve-se levar em conta uma poderosa quota de agressividade. Em resultado disso, o seu próximo é, para eles, não apenas um ajudante potencial ou um objeto sexual, mas também alguém que os tenta a satisfazer sobre ele a sua agressividade, a explorar sua capacidade de trabalho sem compensação, utilizá-lo sexualmente sem o seu consentimento, apoderar-se de suas posses, humilhá-lo, causar-lhe sofrimento, torturá-lo, e matá-lo

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Sobre jorgesapia

Abduzido pela folia foi tentar entender esse fenômeno no bacharelado de Ciências Sociais da UFF e no Mestrado em Sociologia do IUPERJ. Com sua identidade secreta dá aulas de sociologia, cultura brasileira e Teoria Social do Carnaval em diversas instituições. Entre um semestre e outro, despede-se de seus alunos com um Meu Bem, Volto Já, saudação que acabou dando nome ao bloco que fundou no Leme. Durante o reinado de Momo compõe sambas para diversos blocos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
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