É preciso pegar o touro à unha.


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Tivesse feito o primeiro grau no Rio de Janeiro teria, com certeza, encontrado na devagata da Av. Atlântica boa quantidade de ex colegas. Noventa por cento do público na casa dos sessenta, levantado e alinhado, para pedir o fim da corrupção, das urnas eletrônicas e outros quetais.

Vi várias senhorinhas, que já tinham avançado algumas casas além dessa idade, carregando cartazes que poderiam compromete-las, caso alguém resolvesse denunciá-las por bullying: “mentira tem perna curta & é dentuça”.   Segundo a querida Beth Mendes, a quem encontrei fazendo sua caminhada matinal no calçadão e me ofereceu, generosamente, um pouco de oxigênio, o que muitos não suportam é ver três elementos juntos numa mesma pessoa: mulher, separada e ex-guerrilheira.

Em linhas gerais, vi um pessoal da terceira idade que passa confortavelmente bem. Isso não desqualifica seu protesto, mais há um quê de fora de lugar. Não tenho como encaixar, por exemplo, que um dia após o histórico encontro entre Raul Castro e Obama na cidade de Panamá, alguém possa cantar “Brasil verde, amarelo, aqui não entra nem foice nem martelo”, consinto que a rima é até sofisticada, mas não dá liga.

Para não falar que não falei de flores vi uma galera jovem que reivindicava a regulamentação da educação física nas escolas.

Poucos e enigmáticos cartazes, um deles perguntava: “E ai PMDB? Vai ficar do lado do povo brasileiro ou dos petralhas?”

Isso na mesma semana da luta contra a PL 4330 que regulamenta os mecanismos de gestão que tem, na terceirização e na precarização do trabalho, seus elementos fundamentais. Projeto defendido pelo peemedebista Eduardo Cosentino Cunha, evangélico,  Presidente da Câmara e notório defensor dos interesses da saúde privada.

Me atrevo a dizer que 99 % dos que hoje caminharam, pagam planos de saúde particulares. Na certa viram com bons olhos o desmantelamento, então precário, do sistema de saúde pública durante a ditadura. Devem ter batido palmas, também, para o crescimento da educação privada na mesma gestão que alguns querem que volte. Sei que a coisa não está fácil para ninguém, paguei  plano de saúde durante  35 anos, parei de pagar, não ganhou para esse luxo e vivo, desde que me vi obrigado a tomar essa decisão, com um cutelo na cabeça. Se acreditasse em deus rezaria para que saúde não me falte. Me falta, porém, esse consolo.

O pessoal consegue abstrair a realidade de forma invejável. Imaginam que um câmbio de titularidade no executivo fará com que as saúvas não acabem com o Brasil sem perceber que como alguém mineiramente falou a respeito da rápida votação da PL: “ganhamos mais essa derrota”.

Qual a torcida vitoriosa? A das empreiteiras, a das Instituições do ensino privado, a dos planos de saúde, as das empresas do transporte particular e os reis da soja que cresceram e se consolidaram à sombra da ditadura.

A oposição, hoje, está no melhor dos mundos, aprovando seus projetos sem carregar o ônus de ser governo. Estamos, como sociedade, pagando a conta de um partido que deu continuidade a uma atávica corrupção e desmobilizou suas bases. Para que tudo não desande mais ainda, tá na hora da presidenta fazer aquilo que foi pedido pela namorada da Catalunha ao mestre Braguinha, pegar o touro a unha: vetar a PL, mobilizar as bases e dar um norte a seu governo.  Por falar em Catalunha, não posso deixar de lembrar  que, se na Europa o pessoal está preocupado com a troika, precisamos, por aqui, e desculpem a imagem chula, nos preocupar com a trolha.

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Sobre jorgesapia

Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense , Mestre em Sociologia pela Sociedade Brasileira de Instrução - SBI/IUPERJ (2004). Professor temporário da UFRRJ e da Universidade Estácio de Sá e do IBMR. Atuando principalmente nos seguintes temas: direitos humanos, violência, cidadania, carnavalização.
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