Globalização e exclusão. Artigo de Marcio Tavares D’amaral


globalizao-aspetos-econmicos-financeiros-culturais-1-638O mundo tem sete bilhões de pessoas, mas quatro bilhões estão fora dele.

http://oglobo.globo.com/cultura/globalizacao-e-nos-com-isso-16036933

Incorporo o texto de Eric Nepomuceno publicado em Carta Maior:

http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-Europa-e-os-naufragos-da-esperanca-I-/4/33529

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Sobre jorgesapia

Abduzido pela folia foi tentar entender esse fenômeno no bacharelado de Ciências Sociais da UFF e no Mestrado em Sociologia do IUPERJ. Com sua identidade secreta dá aulas de sociologia, cultura brasileira e Teoria Social do Carnaval em diversas instituições. Entre um semestre e outro, despede-se de seus alunos com um Meu Bem, Volto Já, saudação que acabou dando nome ao bloco que fundou no Leme. Durante o reinado de Momo compõe sambas para diversos blocos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
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7 respostas para Globalização e exclusão. Artigo de Marcio Tavares D’amaral

  1. M Raquel Canabarro disse:

    Boa tarde professor, interessante como Tavares D’amaral ao longo do seu artigo, pedi desculpa por abordar no jornal em pleno fim de semana um assunto tão forte e real. Pedi desculpa por fazer com que nós leitores lembramos dos esquecidos, dos invisíveis. Com isso ele aponta o que todos nós sabemos, vemos todos os dias no noticiário da TV,como um filme, o espetáculo das catástrofes, da miséria, da violência, da desigualdade. Sim, eles existem e estão morrendo, por fome, por guerras insanas, por ganância de uma sociedade que não tem tempo de parar.
    Damos uma olhadela no jornal, refletimos um pouco, ficamos chocados muitas vezes, depois voltamos para as nossas vidas rotineiras, pois a miséria também é rotineira.

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  2. Mariana Simões disse:

    Oi professor, gostei bastante desse texto. Acho que tem muito em comum com o que foi discutido em nossas aulas.
    Estamos cada vez mais alheios ao acontece ao nosso redor. Olhamos e não vemos e nem ao menos nos esforçamos para ver. Em tempos de manchetes sanguinárias, principalmente as que acontecem em pontos turísticos, damos atenção ao espetáculo e nos esquecemos da falta de saúde, educação. Um governo que discute a maioridade penal e deixa de lado todos os escândalos financeiros e a falta de investimento. Em nossa profissão precisamos estar atentos para os conformismos atuais. Ótimo material para reflexão professor. Obrigada.

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  3. jorgesapia disse:

    Oi Amanda, tudo bem? Com relação a seu comentário perceba que na tipologia weberiana da ação social, a ação social afetiva é a única não orientada pela racionalidade e sim pela emoção. Trata-se de uma conduta motivada por diversos sentimentos, como paixão,orgulho, medo. Neste tipo de ação o ator não leva necessariamente em conta as consequências que poderão resultar de tal ação.

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  4. Amanda Araujo disse:

    Ao ler o brilhante texto de Márcio Tavares, coloquei-me a pensar sobre a razão pela qual quatro milhões de pessoas encontram-se fora do mundo globalizado. A princípio, acreditei ser porque essas pessoas não possuem capital para consumo, assim como colocado por Tavares, porém, após algum tempo de reflexão, dei-me conta de que talvez estas pessoas não possam consumir, pelo simples fato de não serem percebidas pelas demais pessoas.

    Ao tomar consciência disto, que agora me parece tão óbvio, modifiquei a direção de meu pensamento e, comecei a questionar-me sobre o porquê dessas pessoas não serem vistas e, lembrei do proposto por Max Weber em relação à ação social. Para Weber, só existe ação social, quando tentamos nos comunicar com outras pessoas a partir de nossas ações. Ele ainda postula a diferenciação entre quatro tipos de Ação Social, sendo elas: Ação Social Tradicional, Ação Social Afetiva, Ação Social Racional e, Ação Social Racional com Relações a Fins.

    A Ação Social Tradicional é aquela determinada por um hábito, e ao que me parece, talvez esse seja o princípio da invisibilidade dessas quatro milhões de pessoas, uma vez que, nós seres humanos, nos acostumamos a evitar o contato com o “problema alheio”. Pois, não nos foi ensinado a lidarmos com sentimentos ou estímulos desprazerosos de maneira assertiva, o que nos leva a adotar uma postura disfuncional. Para evitarmos o desconforto gerado por tais situações, acabamos por rejeitar de maneira irracional a dor e, o problema do outro, deste modo, rejeitamos também, o contato com o outro e, por vezes desistimos de nos comunicar com eles.

    Penso, que se nos fosse ensinado desde a primeira infância a lidar com tais estímulos desprazerosos, poderíamos adotar uma Ação Social Afetiva, por meio da apropriação afetiva do meio social. Compreendendo que as cidades são compostas pela pluralidade de pessoas e, que cada uma delas possui um papel fundamental para a manutenção e, para o desenvolvimento das mesmas.

    Por meio de pequenas mudanças, como por exemplo, o ensinamento de uma postura crítica diante do que o mundo nos apresenta, poderíamos pouco a pouco tornar estas pessoas visíveis. Pode parecer um pensamento um tanto quanto utópico, mas se cada um de nós começarmos dentro de nossas casas e em rodas de amigos, a pensarmos de forma crítica, poderemos empoderar pouco a pouco, cada uma dessas quatro milhões de pessoas, agora invisíveis.

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  5. jorgesapia disse:

    Oi Eduardo, esse viver de olhos fechados me lembra a ideia trabalhada por Jurandir Freire em artigo escrito no final da década de 1990. Chamava a atenção para a presença na sociedade brasileira de um comportamento predatório presente na elite brasileira: o “alheamento em relação ao outro” e “a irresponsabilidade em relação a si”. Não sei não, mas numa semana em que estamos discutindo esfaqueamento na Lagoa e mortes de adolescente no resto da cidade junto com cortes de verbas na saúde e na educação, parece que estamos abrindo as portas para os promotores de venda rápida de segurança e felicidade. Uma bela síntese dessa questão pode ser vista em O Som ao Redor: https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=h-CHpbyfO3Is

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  6. Eduardo Gomes disse:

    Enquanto estivermos de olhos fechados para o que se escancara a nossa frente, enquanto gastarmos fortunas blindando carros para se defender da miséria humana fantasiada de violência, ficaremos sempre esperando o “tal” futuro melhor, que deveria estar acontecendo no nosso presente, com nossa consciência de que somos nós a diferença à um mundo melhor, minimamente mais digno de sermos chamados de humanos.

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  7. Emanuelle Mendes disse:

    A reflexão proposta por Marcio Tavares de Amaral é de grande veracidade e importância.. ele trás a questão da globalização por meio do consumo generalizado, não só em bens e serviços, mas também nas relações interpessoais, ou seja, quem possui meios para consumir está incluído, e quem não possui meios cai na exclusão. Há mais pessoas excluídas do que incluídas no mundo.. Falando de exclusão sem detalhar o ocorrido as vezes pode não nos exemplificar com clareza a realidade, mas tratam-se de pessoas que são impedidas de ter uma condição mínima de vida, que obrigatoriamente passa pelo consumo. Não bastando ser excluídas, os “momentos marcantes e chocantes” vividos por pessoas que estão pele e osso devido a fome, em condições precárias, sofrendo, passam a ser novamente usadas pelo capitalismo, por meio de produções de músicas ou filmes, o que como dito pelo autor promove indignação, mas distanciam. Resultado: não trazem benefícios em larga escala para os que sofrem, que continuam assim não só excluídos mas sofrendo! A intenção não é só relatar o problema, mas nos sensibilizar para a realidade, onde enquanto uns consomem, outros estão morrendo e desamparados pela estrutura atual em que o mundo encontra-se. Ótimo texto.

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