A queda

Outra contribuição para entender a disputa em jogo.

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Por Fábio Silva

Ao contrário de 99% dos meus amigos que compartilharam a capa da revista “The Economist”, eu abri a dita e fui ler a matéria intitulada “A queda do Brasil”. O resumo da história é:

1) A revista diz que a crise brasileira se deve ao fim do boom das commodities somado ao aumento de gastos públicos. Portanto, reconhece haver tanto fatores externos quanto internos;

2) A revista, seguindo sua linha liberal assumida, diz que o Brasil só vai sair da crise se conseguir fazer reformas na previdência e na legislação trabalhista – exatamente o que 90% da população discorda;

3) A revista aposta que Nelson Barbosa terá melhores condições de fazer essas mudanças, mas não toma como um dado que elas possam acontecer por vários motivos. Um deles é a “falta de apetite do PT por austeridade”. Mas outro é a estrutura do sistema político, que inclui…

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Gracias Macri

Obrigado Macri.

A vitória do presidente Macri, na argentina, está trazendo dividendos para o Rio de Janeiro e isto e deve ser reconhecido e devidamente agradecido. Como todos sabemos, o Estado, que vinha mal desde os tempos de Cabral, entrou num buraco sem fundo na administração Pezão. Foram pro brejo feijão,saúde e educação. Pobres fora, salvam-se empreiteiras, Ambev, Jaguar, Land Rover e Nissan, como mostra Cid Benjamim no artigo do Globo de hoje. http://noblat.oglobo.globo.com/geral/noticia/2015/12/chama-o-ladrao.html

A invasão argentina na cidade, me fez lembrar do tempo do nada saudoso Martinez de Hoz, super ministro da Economia no desgoverno de ditador Jorge Videla. Tempo de “plata dulce” e do “quero dois”.

Hoje,  a suspensão das medidas restritivas de compra de dólares permite a cada cidadão argentino comprar até 2 milhões de dólares mês. Não há como negar que a medida é popular.

Apesar da desvalorização do peso em pouco mais de 30 % e da crise tão comentada no período pré-eleitoral, o trafego de irmãos promete grandes engarrafamentos nas praias cariocas neste verão. Em menos de um mês de governo, Macri resgatou o valor da fraternidade. A pesar do esforço de Kieslowski, a fraternidade, que era vermelha, se transformou no valor menos reivindicado desde a Revolução Francesa. O presidente argentino aposta na fraternidade no mercosul e se mostra  disposto a ajudar nossa cidade. Perdemos os royalties do pré-sal, ganhamos o poder de poder de compras dos hermanos. O comercio de Copacabana está exultante. O bairro parece Miami. Só se fala espanhol. Olé!

arg no rio

Sobram os motivos.

passeatapatoNesta quarta-feira pré natalina, resolvi me dar um presente de Natal e ir para a rua para defender a democracia, encontrar minha filha e rever muitos amigos. Parafraseando o canta-autor espanhol, Joaquin Sabina, “Nos sobran los motivos” para ir à rua. Os três acima são mais que suficientes, porém, me atrevo a agregar alguns mais.

Vou para a rua contra o impeachment. Reconheço que é uma alternativa legal e que já foi instrumentalizada várias vezes nos últimos anos. Algumas de forma bem-sucedidas outras não. Na minha idade consigo, às vezes, separar o joio do trigo. Estou convencido que não são trigo Temer, Cunha, Renan, Cabral – Sérgio e Bernardo, aquele Ministro da Justiça do Collor e do affaire com Zélia Cardoso de Mello -, Renan, Picciane, a bancada evangélica, as bancadas que defendem a mercantilização da saúde e da educação e para ficar só aqui, sabedor de que a lista é grande, acrescento a Fiesp e Donald Trump, – ambos com relação direta o pato de Troia.

Vou para rua contra os empresários do transporte coletivo. Contra esses manifestantes que domingo quase lincham um menino acusado de roubo. Contra a polícia que chacina permanente pobres e negros jovens na nossa cidade. Contra o infeliz do policial que colocou a arma na cara dos skatistas que iam na contramão da passeata que comemorou o AI5 no último 13 dezembro. Descobri que sou skatista desde criancinha.

Vou para a rua contra eles, mas principalmente, pelo que esses personagens representam. Cunha dá para prender, até, se for o caso, para internar. Com os interesses que ele representa o buraco é mais embaixo. São os interesses defendidos pelo Aécio e muitos deles incorporados pelo novo governo Dilma. Por isso vou para a rua não para defender Dilma e muito menos o PT ou Lula, de quem me fui afastando desde os primeiros seis meses do seu primeiro governo. Os interesses defendidos pelo Aécio, FHC e Cia, são os mesmos interesses do recém empossado Mauricio Macri, na Argentina. Mas também confesso que Kristina e o peronismo não são nem um pouco palatáveis. O último é quase um PMBD bem-sucedido. A diferencia é que foi governo.

Vou para a rua em defesa da reforma psiquiátrica, ameaçada pela nomeação do ex-diretor da Dr. Eiras de Paracambi para coordenador nacional de saúde mental

Vou para a rua para reencontrar o frescor da esperança que só a rua, o companheirismo e a alegria proporcionam. Vou para encontrar companheiros de militância e de experiências carnavalescas nas ruas na cidade. Pois, para quem não sabe, esse carnaval de rua que hoje congrega quase 600 blocos se organizou numa perspectiva democrática, questionadora, libertária, bem diferente dos muitos participantes que hoje vão na contramão dessa história.

Para quem quiser conferir sabina segue o link:

https://youtu.be/Y1cTclxGE64

Em tempos sombrios vale recuperar a memória.

Neste 13 de dezembro, 48 anos depois do AI5, enquanto uma parte do eleitorado se mobiliza a favor de um novo golpe na democracia, vale a pena ler o informe sobre Responsabilidade Empresarial na ditadura argentina.  Trata-se de um trabalho elaborado pelo CELS, FLACSO, a Secretaria de Derechos Humanos e o Programa Verdad y Justicia.

http://www.infojus.gob.ar/responsabilidad-empresarial-delitos-lesa-humanidad-tomo-represion-trabajadores-durante-terrorismo-estado-ministerio-justicia-derechos-humanos-nacion-lb000183-2015-11/123456789-0abc-defg-g38-1000blsorbil %5B1%5D
> http://www.infojus.gob.ar/responsabilidad-empresarial-delitos-lesa-humanidad-tomo-ii-represion-trabajadores-durante-terrorismo-estado-ministerio-justicia-derechos-humanos-nacion-lb000184-2015-11/123456789-0abc-defg-g48-1000blsorbil %5B2%5D

http://mateamargo.org/web/responsabilidad-empresarial-en-delitos-de-lesa-humanidad/

Por uma sociedade sem manicômios.

Carta de 656 entidades e movimentos sociais a presidente do Conselho Nacional de Saúde em repudio a indicação de Valencius W. Duarte Filho para Coordenação Nacional de Saúde Mental.

Brasília, 10 de dezembro de 2015.
À Sra. Maria do Socorro de Souza,
Conselheira-Presidenta Conselho Nacional de Saúde,
Nós, representantes das 656 entidades/movimentos sociais para estarmos na Audiência com o Senhor Marcelo Castro, Ministro de Estado da Saúde, no dia 10 de dezembro de 2015, ratificamos nosso interesse em colaborar com o avanço da Reforma Psiquiátrica e da Política Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas. Por isso, vimos manifestar nossa preocupação em relação ao anúncio de nomeação do Dr. Valencius W. Duarte Filho, pelo Senhor Ministro da Saúde, para assunção do cargo de Coordenador de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde.
Esclarecemos:
1. O Dr. Valencius W. Duarte Filho foi Diretor-técnico da Casa de Saúde Dr. Eiras de Paracambi, condição em que manifestou publicamente, por meio do Jornal do Brasil, crítica aos fundamentos do projeto de lei n. 3657/1989, cujo substitutivo deu origem à atual Lei federal n. 10.216/01, marco regulatório da Política Nacional de Saúde Mental. Afirmou serem os fundamentos “de caráter ideológico, e não técnico, e se baseiam em situações ultrapassadas” (“Médico critica lei que extingue manicômios”, JB, 07/06/1995).
2. A Casa de Saúde Dr. Eiras faz parte de um histórico sombrio da psiquiatria brasileira, uma vez que cumpriu o papel de ser o maior hospital psiquiátrico privado da América Latina. No ano 2000, o relatório da I Caravana Nacional de Direitos Humanos, promovida pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, constatou graves violações de direitos humanos na Casa de Saúde Dr. Eiras de Paracambi, tipicamente encontradas nas grandes instituições manicomiais, tais como prática sistemática de eletroconvulsoterapia, ausência de roupas, alimentação insuficiente e de má qualidade e número significativo de pessoas em internação de longa permanência.
3. Considerando que a Lei n. 10.216/2001 não mais reconhece o Hospital Psiquiátrico na Rede que, em 2011, é consagrada pela portaria n. 3088/2011, preocupa-nos pensar que o Dr. Valencius W. Duarte Filho seria alguém competente para atuar como Coordenador Nacional de Saúde Mental de modo alinhado aos princípios da Reforma Psiquiátrica e da Política Nacional de Saúde Mental, tendo em vista que, há décadas, tem uma contínua e ininterrupta atuação nesse tipo de estabelecimento.
4. Dada a exigência de publicação científica como um indicador de produtividade no campo da ciência e da academia, informamos que o Dr. Valencius W. Duarte Filho não possui trabalhos publicados no âmbito da psiquiatria e da saúde mental, o que torna insustentável a argumentação do Sr. Ministro, para quem o cargo exige autoridade científica.
5. Nesse sentido, o anúncio realizado pelo Sr. Ministro da Saúde na mencionada audiência contrapõe-se ao compromisso do governo federal com a continuidade da Política Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, na perspectiva da garantia dos direitos humanos e do cuidado territorial e comunitário.
Ressaltamos que os princípios aqui estabelecidos são ratificados pelas deliberações da XV Conferencia Nacional de Saúde e pelo Relatório Final e Moções da XVIII Reunião do Colegiado Nacional de Coordenadores de Saúde Mental. Subscritores Associação Brasileira de Saúde Mental/ABRASME Centro Brasileiro de Estudos em Saúde/CEBES Conselho Federal de Psicolologia/CFP Conselho Regional de Psicologia da 21ª Região – Piauí/CRP-PI Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro/IMS-UERJ Movimento Nacional da Luta Antimanicomial/MNLA Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial/RENILA.

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