Sobram os motivos.


passeatapatoNesta quarta-feira pré natalina, resolvi me dar um presente de Natal e ir para a rua para defender a democracia, encontrar minha filha e rever muitos amigos. Parafraseando o canta-autor espanhol, Joaquin Sabina, “Nos sobran los motivos” para ir à rua. Os três acima são mais que suficientes, porém, me atrevo a agregar alguns mais.

Vou para a rua contra o impeachment. Reconheço que é uma alternativa legal e que já foi instrumentalizada várias vezes nos últimos anos. Algumas de forma bem-sucedidas outras não. Na minha idade consigo, às vezes, separar o joio do trigo. Estou convencido que não são trigo Temer, Cunha, Renan, Cabral – Sérgio e Bernardo, aquele Ministro da Justiça do Collor e do affaire com Zélia Cardoso de Mello -, Renan, Picciane, a bancada evangélica, as bancadas que defendem a mercantilização da saúde e da educação e para ficar só aqui, sabedor de que a lista é grande, acrescento a Fiesp e Donald Trump, – ambos com relação direta o pato de Troia.

Vou para rua contra os empresários do transporte coletivo. Contra esses manifestantes que domingo quase lincham um menino acusado de roubo. Contra a polícia que chacina permanente pobres e negros jovens na nossa cidade. Contra o infeliz do policial que colocou a arma na cara dos skatistas que iam na contramão da passeata que comemorou o AI5 no último 13 dezembro. Descobri que sou skatista desde criancinha.

Vou para a rua contra eles, mas principalmente, pelo que esses personagens representam. Cunha dá para prender, até, se for o caso, para internar. Com os interesses que ele representa o buraco é mais embaixo. São os interesses defendidos pelo Aécio e muitos deles incorporados pelo novo governo Dilma. Por isso vou para a rua não para defender Dilma e muito menos o PT ou Lula, de quem me fui afastando desde os primeiros seis meses do seu primeiro governo. Os interesses defendidos pelo Aécio, FHC e Cia, são os mesmos interesses do recém empossado Mauricio Macri, na Argentina. Mas também confesso que Kristina e o peronismo não são nem um pouco palatáveis. O último é quase um PMBD bem-sucedido. A diferencia é que foi governo.

Vou para a rua em defesa da reforma psiquiátrica, ameaçada pela nomeação do ex-diretor da Dr. Eiras de Paracambi para coordenador nacional de saúde mental

Vou para a rua para reencontrar o frescor da esperança que só a rua, o companheirismo e a alegria proporcionam. Vou para encontrar companheiros de militância e de experiências carnavalescas nas ruas na cidade. Pois, para quem não sabe, esse carnaval de rua que hoje congrega quase 600 blocos se organizou numa perspectiva democrática, questionadora, libertária, bem diferente dos muitos participantes que hoje vão na contramão dessa história.

Para quem quiser conferir sabina segue o link:

https://youtu.be/Y1cTclxGE64

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Sobre jorgesapia

Abduzido pela folia foi tentar entender esse fenômeno no bacharelado de Ciências Sociais da UFF e no Mestrado em Sociologia do IUPERJ. Com sua identidade secreta dá aulas de sociologia, cultura brasileira e Teoria Social do Carnaval em diversas instituições. Entre um semestre e outro, despede-se de seus alunos com um Meu Bem, Volto Já, saudação que acabou dando nome ao bloco que fundou no Leme. Durante o reinado de Momo compõe sambas para diversos blocos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
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