Pela defesa da Constituição e do Estado Democrático de Direito


Pela defesa da Constituição e do Estado Democrático de Direito

Li algumas páginas da delação premiada do Delcídio Amaral. Surpresa pouca a não ser o fato de vir à luz a participação da oposição mais ativa na ação de desestabilização do governo desde que o resultado das urnas foi publicado.

É provável que alguns dos fatos relatados não correspondam à verdade, mas a amplitude e publicidade da delação vai balançar o sistema partidário. Some-se a isso a crise de representação evidenciada nos movimentos de 2013 e na rejeição do Áecio, Alckimin e Marta ex-Suplici pelos manifestantes pró-impeachement em São Paulo, para visualizar que o quadro que se apresenta, no futuro mediato e imediato, seja tão desolador quanto o Campos de trigo com Corvos, de Van Gogh, que se materializou no último carnaval carioca de rua pela reinterpretação esperançosa do amigo Betuca no Bloco de Segunda.

Espera-se – e isto só acontecerá com mobilização social – que as investigações não continuem sendo instrumentalizadas politicamente, mas que se apure com a serenidade e imparcialidade que o caso exige*. Imagino que aqui entremos no terreno da utopia, mas lembro que, sem utopia, não se caminha.

O cenário não é dos melhores. Os discursos e práticas de uma direita organizada que nos faz acreditar que a única salvação virá, hoje, travestida de procurador da república e amanhã com as armas permanentes do mercado e da “meritocracia”. Essas leituras alimentam a crença de boa parte dos manifestantes – que não são poucos nem estão destituídos de razão – de que nada presta, a não ser, as alternativas da ordem que possa eliminar o que eles consideram um caos existente.

Um caos que tem nome e sobrenome: movimentos populares, negros, mulheres, homossexuais e, claro, pobres. Todas categorias historicamente excluídas, pela Casa Grande que persiste na nossa classe política e em boa parte da intelectualidade e naszelites.

Vale considerar que o problema não é local, nem responde a pautas essencialmente locais. Boaventura de Sousa Santos mostra que a agressividade da direita é global, a captura de instituições como o judiciário é uma das tácticas em vigor da estratégia geral do neoliberalismo. É a lógica exemplar do Juiz Moro e de outros de menor estirpe como o juiz Cata Preta. É um aparelho judiciário e policial que sempre atuou com dois pesos e duas medidas.

Neste momento em que as forças antidemocráticas mostram com mais clareza ao que vieram é necessário tomar partido, não por este ou aquele governo, mas pela defesa da Constituição e do Estado Democrático de Direito que está sendo desrespeitado cotidianamente pelos arautos do caos cujo braço midiático são as organizações Globo.

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