“Trem noturno para Lisboa” é uma luz em tempos sombrios.


Em tempos de incerteza generalizada há sempre a possibilidade de encontrar ilhas de equilíbrio tão necessárias à preservação da saúde mental. A literatura e o cinema costumam produzir essas ilhas que tem, não poucas vezes, a capacidade de transformar-se em continentes, em espaços mais generosos que permitem a expansão do horizonte do possível.

O acaso, no sentido de aleatório e indeterminado, mas também no sentido de sorte, me fez que pressionar a tecla do controle remoto que abriu, na tela da TV, o filme “Trem noturno para Lisboa”. Soube, depois de tê-lo assistido, tratar-se da adaptação do livro homônimo de Pascal Mercier, pseudônimo  do filósofo suíço Peter Bieri.

A trama se orienta na pergunta formulada por Amadeu Inácio de Almeida Prado, autor de Um Ourives das Palavras (criador e criatura frutos da ficção): “Se é verdade que apenas podemos viver uma pequena parte daquilo que em nós existe, então o que acontece ao resto?”  A probabilidade de viver todas as possibilidades contidas, em potência, em nós, seres plásticos e indeterminados, só existe no Aleph, conto de Jorge Luis Borges que revela “o lugar onde estão, sem se confundirem, todos os lugares do orbe, vistos de todos os ângulos” onde estão portanto, todas as possibilidades do “Jardim dos caminhos que se bifurcam”.

A procura pelos acontecimentos possíveis, pela recuperação da memória dos personagens que vão surgindo, com vigor e delicadeza, na narrativa urdida numa Lisboa iluminada pelas luzes cálidas do outono, são um convite às descobertas e à construção de afetos. Vale a pena conferir.

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Sobre jorgesapia

Abduzido pela folia foi tentar entender esse fenômeno no bacharelado de Ciências Sociais da UFF e no Mestrado em Sociologia do IUPERJ. Com sua identidade secreta dá aulas de sociologia, cultura brasileira e Teoria Social do Carnaval em diversas instituições. Entre um semestre e outro, despede-se de seus alunos com um Meu Bem, Volto Já, saudação que acabou dando nome ao bloco que fundou no Leme. Durante o reinado de Momo compõe sambas para diversos blocos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
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