Música urbana, música de resistência.


Assisti, ontem, no Arte 1, “Mariza e a História do Fado”. O documentário do britânico Simon Broughton é uma festa e, como toda festa, além de proporcionar encontros, permite pensar. A história da música urbana portuguesa nos chega pela voz delicada de Mariza, fadista de origem moçambicana.

O documentário mostra o processo transformação, pelo alto, do fado. Originalmente vinculado ao movimento operário tanto de esquerda, quanto anarquista, será domesticado com a chegada, em 1932, de Antônio de Oliveira Salazar ao poder que manteve, autoritariamente, durante 40 anos.

O documentário é particularmente relevante no contexto político contemporâneo em que as narrativas nacionalistas voltam a ter protagonismo. Neste contexto, destaco o belíssimo trabalho de Pedro Campos, numa letra que nos coloca em contato com uma realidade que jamais será superada pelo ódio e o rancor.

Mas, além disso, o trabalho de Simon Brougthon nos conduz num maravilhoso passeio pelas ruas de Lisboa, pelos encantadores cantos onde o canto se deixa ouvir nas noites lusitanas. Nos leva pela Mouraria, pela Alfama até a Tasca do Chico onde o fado vadio se faz presente e claro, pelo Tejo, que como diz Alberto Caeiro: “Pelo Tejo vai-se para o Mundo”.

 

https://youtu.be/DIF9WBzgJ28

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Sobre jorgesapia

Abduzido pela folia foi tentar entender esse fenômeno no bacharelado de Ciências Sociais da UFF e no Mestrado em Sociologia do IUPERJ. Com sua identidade secreta dá aulas de sociologia, cultura brasileira e Teoria Social do Carnaval em diversas instituições. Entre um semestre e outro, despede-se de seus alunos com um Meu Bem, Volto Já, saudação que acabou dando nome ao bloco que fundou no Leme. Durante o reinado de Momo compõe sambas para diversos blocos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
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