A sociedade do cansaço e do abatimento social

Leonardo Boff

Ha uma discussão pelo mundo afora sobre a “sociedade do cansaço”. Seu formulador principal, é um coreano que ensina filosofia em Berlim, Byung-Chul Han, cujo livro com o mesmo título acaba de ser lançado no Brasil (Vozes 2015). O pensamento nem sempre é claro e, por vezes discutível, como quando se afirma que “cansaço fundamental” é dotado de uma capacidade especial de “inspirar e fazer surgir o espírito” (cf. Byung-Chul Han, p. 73). Independentemente das teorizações, vivemos numa sociedade do cansaço. No Brasil além do cansaço sofremos um desânimo e um abatimento atroz.

Consideremos, em primeiro lugar, a sociedade do cansaço. Efetivamente, a aceleração do processo histórico e a multiplicação de sons, de mensagens, o exagero de estímulos e comunicações, especialmente pelo marketing comercial, pelos celulares com todos os seus aplicativos, a superinformação que nos chega pelas midias sociais, nos produzem, dizem estes autores, doenças neuronais: causam depressão, dificuldade…

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Ô SORTE!

A camiseta do bloco carnavalesco Meu Bem Volto Já em 2017 traz uma coleção de balangandãs, amuletos e símbolos que representam boas energias. Um desejo imenso de atravessar esse mar de incertezas que vivemos sob muita proteção pois acreditamos que não estamos sozinhos e não tememos nosso destino. “Nossa força de mudar é reconhecida na diversidade e particularidade de cada um de nós, foi isso que tentei representar” afirma Bárbara Tércia, que produziu as ilustrações. A artista visual tem alguns prêmios, entre eles Interações Estéticas e Rede Nacional Funarte de Artes Visuais, mestranda da Belas Artes da UFRJ, sua pesquisa tem relação com a ancestralidade brasileira.

Trump e a involução da espécie.

Segundo o Aurélio, a ideia de preconceito refere-se  ao “Conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; ideia preconcebida. 2. Julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que os conteste; prejuízo. 3. P. ext. Superstição, crendice; prejuízo. 4. P. ext. Suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos, religiões, etc.:”

O preconceito tem um caráter social. Os seres humanos nascem livres de preconceitos; eles são construídos socialmente e geralmente servem para manter e consolidar a coesão social, a integração do grupo ou da sociedade contribuindo com a construção da ordem social que resulta da implantação, através de processos de socialização, dos valores ou da visão de mundo dos setores dominantes.

Devemos diferenciar, contudo, o preconceito do etnocentrismo. A noção de etnocentrismo, é utilizada para designar as visões que identificavam à fronteira da humanidade com a própria sociedade, língua, classe social, religião ou caráter nacional, colocando, tudo o que se encontra  além dessa fronteira, no terreno da natureza, do não civilizado ou fora da humanidade, com eram, por exemplo, as representações cristãs sobre os muçulmanos durante as Cruzadas dos séculos XI ao XIII. A sociologia nos ensina que olhar e explicar o mundo desde um ponto de vista centrado na própria experiência social e cultural é uma disposição universal dos seres humanos. Sendo a humanidade sócio-centrica, o etnocentrismo é. do ponto de vista sociológico, um fenômeno normal

O preconceito, por sua vez, se caracteriza por uma tomada de posição moral. O indivíduo com predisposição para o preconceito rotula e desqualifica o comportamento diferente, deslegitimando o mundo daqueles cujos valores não coincidem com os valores do grupo de referência. Geralmente o preconceito apresenta-se com um conteúdo negativo, isto é, na medida em que não é facilitador de um processo reflexivo que ajude a contemplar e refletir sobre  a diversidade humana permitindo, de alguma maneira, o exercício da tolerância. Assim, os juízos provisórios que, mesmo desmentidos pela análise científica ou por argumentos racionalmente elaborados, se mantém inalterados, são considerados preconceitos. Dependendo de sua intensidade o preconceito pode ser perigoso para a sociedade e para o indivíduo.  Os elevados índices de violência orientados por preconceitos contra diversas minorias atestam o perigo que uma atitude preconceituosa, intolerante, de negação das diferenças, pode representar para a sociedade. A história está cheia de exemplos sobre a “banalidade do mal” orientada por atitudes preconceituosas – racistas ou homo fóbicas – cuja intensidade é bem maior nos contextos nos quais a   liberdade de opinião não pode ser exercida.

A liberdade de opinião, consagrada como direito humano fundamental desde a Declaração de Direitos na Revolução Francesa, em 1789, encontra-se limitada pelo direito do outro de não ser difamado, discriminado ou violentado por suas escolhas de consciência ou preferências afetivas e sexuais.

Nos tempos que seguem vamos, ao que parece, na contramão da perspectiva Darwinista. Tudo indica que involuímos.