Meu Bem, Volto Já! Carnaval 2017!

Meu Bem, Volto Já! Carnaval 2017!
Povo de Rua
Flávia Leiroz
O Povo da Rua é alegria. O povo da Rua é liberdade. O Povo da Rua somos nós, é você e todos os espíritos de luz que abrem os caminhos da festa que o Meu Bem Volto Já promove no carnaval de 2017.
Os tempos são incertos. Crises fechando possibilidades, drenando liberdades e negando conquistas. Mas no enredo e no samba, Meu Bem Volto Já enfrenta as dificuldades e convoca o Povo da Rua que, no universo de nossa espiritualidade, age incansavelmente para combater as forças das trevas, destrancar caminhos, encaminhar almas perdidas.
O grupo é formado por Exús masculinos e Exús femininos – há Pomba Giras, Zés, Marias, ciganas, ciganos… espíritos em busca de evolução, que escolheram as ruas para ficarem perto de nós, orientando e combatendo o mal.

Quando não se pode lutar pelo bem nos espaços públicos, quando não se pode gritar por justiça, quando diferenças são vistas como defeitos e o silêncio se impõe, chamar o Povo da Rua é iluminar a esperança de que dias melhores virão.
Eles são democráticos, próximos, companheiros – têm o poder de comunicar, ligar e construir relações. Podem brincar, fazer algazarra, mas limpam, nos caminhos por onde passam, pensamentos e emoções negativas. Com alegria, sinceridade, chapéus, saias rendadas, leques, brincos e muita cor, lavam nossas almas.
Por isso, Meu Bem Volto já decidiu: em vez de quebrar a magia, festejá-la. Porque o Povo da Rua não prejudica, não atormenta ou ilude, não promove golpes ou censuras. Agente mágico do equilíbrio universal, trabalha com forças do astral para disseminar a justiça e a liberdade que há no bem. Só assim abre alas, caminhos, trabalho, carreira e o coração para o amor!
Em 2017, o carnaval saúda a luz e ocupa ruas, esquinas, encruzilhadas com o poder transformador que há na resistência ao mal, no culto à alegria, na força, na dança, no canto e na fé! No Povo da Rua e Na Rua!

Saravá!

A Saara, Raduan Nassar e o ministro

#não há como ficar calado.

marceu vieira

Fui duas manhãs seguidas à Saara esta semana. De um ponto de vista sociológico, ou quem sabe até antropológico, a Saara talvez seja o lugar mais interessante do Brasil. Ou, pelo menos, do Rio – onde ela fica e de onde nem cartão postal é.

Pra quem não conhece, é preciso dizer logo. A Saara é bem diferente do Saara. A começar pelo gênero. É feminina, ao contrário do deserto que lhe empresta o nome.

A Saara também se difere do Saara pela multidão que a atravessa todos os dias, carregada de sentimentos distintos, a partir das 9h, à exceção dos domingos, num cenário bem distante da vastidão de areia e de nada do Norte da África, com seus 9.065.000 km², área maior que a de países continentais como o Brasil, ou como a Austrália, ou a Índia, ou ainda quase do tamanho dos Estados Unidos, ou de todo o…

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O carnaval de rua é mais do que diversão, por Carlos Fidelis Ponte

Tem gente que não gosta de bloco de carnaval É fato tem gente que não gosta mesmo. Outros não conhecem e acham que todos os blocos são iguais. O carnaval de rua tem blocos para todos os gostos. T…

Fonte: O carnaval de rua é mais do que diversão, por Carlos Fidelis Ponte

Batuque

Hoje acordei com música e com esse lindo texto da amiga Lidia Pena que reproduzo aqui,  de coração alegre. Abraços

Batuque

Meu bem

É curioso como uma frase lida aleatoriamente tem o poder de traduzir de forma precisa um sentimento que se experimenta diante de alguns momentos na vida. “Deus inventou a música para que os pobres pudessem ser felizes”. Esta afirmação encontrada no romance de José Eduardo Agualusa – Teoria Geral do Esquecimento – me fez exclamar: “é isso!” Sempre me fascina a alegria expressa nos mais variados rostos das pessoas que descem dos morros da cidade pra desfilar no Carnaval em suas escolas do coração. A ala das baianas e a evolução de mestre-sala e porta-bandeira são, para mim, dois momentos de êxtase, na avenida, em que a emoção se revela nos sorrisos mais lindos e verdadeiros. Os mesmos que se exibem nos rostos dos povos africanos, emoldurados por suas vestimentas de cores vivas e harmoniosas, dançando ao soar do tambor. Ingredientes que parecem camuflar a dor da pobreza e do sofrimento em que a maioria vive. Como me encanta e emociona essa forma de resistência. Vejo os tambores africanos e as baterias das escolas de samba brasileiras atuando como uma espécie de elixir, que tanto tem o poder de seduzir, agregar, como também de anestesiar corpos e almas. Essa magia já corrigiu o rumo da vida de tantos jovens em tantos lugares. E enxergo o samba, os sons de batuques e atabaques, com certo protagonismo no intrigante processo. Mas eu, que desde pequena me deixo envolver e transportar pelos sons curtidos a qualquer hora, espaço e ritmo, nunca havia estabelecido a ligação perfeita que o escritor angolano definiu com tanta simplicidade. Sim. Me permitindo a poesia: de que mais se precisa para ser feliz, além da música?!

Lidia Pena Fevereiro/2017

Espelho, Espelho meu! Espelho, Espelho de todos os neurônios!

Espelho, Espelho meu! Espelho, Espelho de todos os neurônios!

Como a nossa resposta a imigração pode preencher de medo outros cérebros.
 

Este artigo é uma resposta a situação bi-partidária e de conflitos políticos que o povo estadunidense vem enfrentando desde oito de novembro, quando escolheram o exempresário e magnata Donald Trump para conduzir os destinos daquele país.   Foi traduzido e adaptado por Luiz Fernando Silveira1 a partir do artigo da revista Psycology Today, disponível no link 2 postado em 04Fev2017.

 

A imigração tem sido o tema da semana. Foi o foco de uma Ordem Executiva Presidencial, e foi o tema da conversa entre o Presidente Trump e o Primeiro Ministro da Austrália, Malcolm Turnbull. Esta semana houve mais uma vez discussão sobre grupos: sobre quem de um grupo externo deve ser mantido fora e quem deve ser permitido manter-se dentro do grupo chamado os Estados Unidos da América.

Sempre que há dois ou mais grupos, uma parte extraordinariamente antiga do nosso cérebro entra em cena. Sem nos dar conta, nos tornamos motivados pelo medo: medo de que um membro de outro grupo se infiltre em nosso ninho e tome algo. A espécie humana ainda precisa de três coisas básicas para sobreviver. Assim como qualquer outra criatura viva, precisamos de alimento, abrigo e capacidade de reproduzir. Refiro-me a essas coisas como recursos, residência e relacionamentos. Por muito, muito tempo todos estes recursos foram limitados e escassos. Os recursos, as residências, e o número de relacionamentos eram limitados pelo tamanho do seu grupo. Nossos cérebros ainda acreditam muito neste modelo de recursos limitados.

E se um grupo acredita, mesmo se uma pessoa em um grupo acredita, então muitas pessoas e grupos podem acreditar. e Como isso acontece? Em parte devido a neurônios espelho.

“Hum! Isso parece bom. Gostaria de ter um desses!”. Quantas vezes você disse isso ou pensou isso olhando alguém comer ou beber um de seus alimentos favoritos? Ou começar a sentir medo, porque você viu alguém sentir medo? Assistindo um filme, você não se sente triste quando você vê alguém triste? Feliz quando você vê outros felizes? Com raiva se um personagem que você respeita se sente irritado? Essas emoções espelhadas podem ser atribuídas a uma parte específica de nosso cérebro chamada “neurônios espelho”.

Em 1996, uma equipe de pesquisadores da Universitá di Parma, na Itália, publicou um artigo inovador com o título simples; “Reconhecimento de ação no córtex premotor.” Andar, correr, qualquer movimento muscular é, em última instância, influenciado por uma seção na parte superior do cérebro chamada de córtex motor. Os cientistas registraram a atividade elétrica de 532 neurônios de dois macacos. Estes eram neurônios do córtex pré-motor,  localizado logo na frente do córtex motor. Os macacos sendo examinados foram amarrados com correias, e do outro lado foi apresentado um macaco agarrando uma banana. As células pré-motoras ficaram selvagens, sugerindo que o macaco observador estava se preparando para pegar uma banana, mas seus braços não conseguiam se mover. Seus cérebros estavam “espelhando” o movimento do outro macaco. [1]

Isso faz sentido a partir de uma perspectiva evolutiva. Se outro macaco está indo anhar uma vantagem comendo uma banana, o macaco observando começou a se preparar para fazer o mesmo, de modo a não perder um recurso de alimento.

Sabemos que os neurônios espelho não se limitam apenas a comer bananas ou realizar movimentos. Os neurônios espelhados também incluem sentimentos. É por isso que você pode ficar com medo quando você vê outra pessoa com medo: seus próprios neurônios espelho foram ativados. Na verdade, espelhamos um rosto assustado um segundo após ver um outro rosto. [2] Os neurônios-espelho são uma resposta biológica notável para o medo que vemos naqueles que nos rodeiam, e como muitos dos nossos sistemas biológicos foram aperfeiçoando-se para proteger a nossa sobrevivência e preservar a espécie.

Mas se você é influenciado por neurônios espelho, então todo mundo é influenciado por neurônios espelho. Uma vez ciente disso você pode reconhecer a influência sobre você, decidir se uma emoção que você sente é válida, e se não for, então pode mudar a emoção para influenciar a reação de neurônios espelho de outra pessoa.

As primeiras impressões acontecem surpreendentemente rápido. Você já andou por uma rua e observou um estranho? Instantaneamente você está avaliando se você pode confiar neles ou não.Essas primeiras impressões podem ser formadas dentro de 39 milisegundos. [3]

Cada vez que eu comprar algo e eu digo “Obrigado!” E noventa por cento do tempo a outra pessoa diz: “De nada3.” Estas não são palavras insignificantes. Eles decorrem do meu reconhecimento de que a pessoa fez algo por mim, compartilhou um recurso, provou seu valor. Quando eu lhes agradeço, reconheço seu valor. Nesse momento vc está usando a Teoria da Mente para ativar uma resposta de neurônio espelho. “De nada” significa que sou bemvindo ao seu grupo, para compartilhar seus recursos, residência e relacionamento. VOCÊ É BEM VINDO! E quando recebo isso me sinto mais seguro e com menos medo. Dessa forma, é mais provável se sentir protegido de um predador, e não ter que se preocupar sozinho. Essa sensação de segurança é então refletida na outra pessoa. E agora temos duas pessoas que podem compartilhar seus recursos, residências e relacionamentos. Ambos são mais fortes, não diminuídos em tudo. Agora imagine isso em uma escala nacional, internacional e global.

Os seres humanos espelham as emoções de outros seres humanos. Mas agora que você sabe isso você pode escolher que tipo de influência você quer ser.

Aplique isso ao assunto em discussão sobre imigração. Assim que um país proíbe a entrada de pessoas de outro uma variedade de emoções humanas básicas surgem, espelhando uma e outra vez por milhões de outros indivíduos.

Como os seus neurônios-espelho responderam ao nosso mundo após as eleições de 8 de novembro? Quem está te influenciando e como você deseja influenciar os dos outros. O Segundo Princípio da minha I-M Aproach4 é “Você não controlam ninguém. Você influencia a todos.”Que tipo de influência você quer ser?

Notas
1 Luiz Fernando Silveira é especializado em Engenharia de Manutenção, estudante de psicologia na Faculdade IBMR e apaixonado pela complexidade humana.
2 O artigo original foi escrito por Shrand, Joseph A., que atualmente é instrutor de psiquiatria na Harvard Medical School, assistente de psiquiatra infantil da equipe médica do Massachusetts General Hospital, e Diretor-médico da CASTLE (Clean and Sober Teens Living Empowered).
3 “De nada!” foi uma tradução livre e adaptada de “You’re welcome” que para o americano significa literalmente “Você é bem-vindo!”.

Referências:

[1] Brain. 1996 Apr;119 ( Pt 2):593-609. Action recognition in the premotor cortex.Gallese V, Fadiga L, Fogassi L, Rizzolatti G. [2] Emotion. 2007 May;7(2):447-57.More than mere mimicry? The influence of emotion on rapid facial reactions to faces. Moody EJ, McIntosh DN, Mann LJ, Weisser KR. [3] Emotion. 2006 May;6(2):269-78. Very first impressions. Bar M, Neta M, Linz H.

Outsmarting Anger: Seven Strategies for Defusing Our Most Dangerous Emotion. Shrand, J with Devine, L. Josey Bass, 2013

Do You Really Get Me? Finding Value in Ourselves and Others through Empathy and Connection. Shrand, J with Devine, L. Hazelden Press 2015

4 I-M Aproach é uma metodologia criada pelo Dr. Joseph A. Shrand que prevê que cada célula em nosso corpo, e cada domínio dos nossos relacionamentos está fazendo o melhor que pode em cada momento particular. Os quatro domínios são representados pela soma do seu ambiente doméstico, a soma do seu ambiente social, a soma dos seus conceitos individuais e atuais, ou seja, como eu me vejo e como eu acho que os outros me vêem e finalmente a integral do atual potencial genético/biológico/estado evolutivo atual. Diponível em < http://www.drshrand.com/blog/m-story/&gt;. Acesso em 09 de fev. 2017.