Batuque


Hoje acordei com música e com esse lindo texto da amiga Lidia Pena que reproduzo aqui,  de coração alegre. Abraços

Batuque

Meu bem

É curioso como uma frase lida aleatoriamente tem o poder de traduzir de forma precisa um sentimento que se experimenta diante de alguns momentos na vida. “Deus inventou a música para que os pobres pudessem ser felizes”. Esta afirmação encontrada no romance de José Eduardo Agualusa – Teoria Geral do Esquecimento – me fez exclamar: “é isso!” Sempre me fascina a alegria expressa nos mais variados rostos das pessoas que descem dos morros da cidade pra desfilar no Carnaval em suas escolas do coração. A ala das baianas e a evolução de mestre-sala e porta-bandeira são, para mim, dois momentos de êxtase, na avenida, em que a emoção se revela nos sorrisos mais lindos e verdadeiros. Os mesmos que se exibem nos rostos dos povos africanos, emoldurados por suas vestimentas de cores vivas e harmoniosas, dançando ao soar do tambor. Ingredientes que parecem camuflar a dor da pobreza e do sofrimento em que a maioria vive. Como me encanta e emociona essa forma de resistência. Vejo os tambores africanos e as baterias das escolas de samba brasileiras atuando como uma espécie de elixir, que tanto tem o poder de seduzir, agregar, como também de anestesiar corpos e almas. Essa magia já corrigiu o rumo da vida de tantos jovens em tantos lugares. E enxergo o samba, os sons de batuques e atabaques, com certo protagonismo no intrigante processo. Mas eu, que desde pequena me deixo envolver e transportar pelos sons curtidos a qualquer hora, espaço e ritmo, nunca havia estabelecido a ligação perfeita que o escritor angolano definiu com tanta simplicidade. Sim. Me permitindo a poesia: de que mais se precisa para ser feliz, além da música?!

Lidia Pena Fevereiro/2017

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Sobre jorgesapia

Abduzido pela folia foi tentar entender esse fenômeno no bacharelado de Ciências Sociais da UFF e no Mestrado em Sociologia do IUPERJ. Com sua identidade secreta dá aulas de sociologia, cultura brasileira e Teoria Social do Carnaval em diversas instituições. Entre um semestre e outro, despede-se de seus alunos com um Meu Bem, Volto Já, saudação que acabou dando nome ao bloco que fundou no Leme. Durante o reinado de Momo compõe sambas para diversos blocos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
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