Samba do Peixe #ocupaarua.


 

Domingo fui me encontrar no #sambadopeixerj. Roda de samba que acontece uma vez por mês na tradicional rua do Ouvidor, no trecho entre as ruas Primeiro de Março e a rua dos Mercadores, entre a Toca do Baiacú e a livraria Folha Seca do querido Rodrigo Ferrari.

Livraria folha seca

 

Cheguei na roda ao cair da noite. Fui de metrô, saltei na estação Carioca, caminhei pela rua São José vazia.  Dei de cara com a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) cercada, gradeada, protegida do povo. Povo que os ilustres deputados deveriam representar.  A casa do povo se transformou em um bunker , é um símbolo claro do divórcio entre a sociedade política e a sociedade civil.

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Continuei a caminhada à procura da alegria. Ela existe e, geralmente, é possível encontrá-la do lado de fora dessas instituições produtoras de infelicidade.

Compartilho a convicção de muita gente de que a alegria está nas ruas. Guiado por essa firme convicção consegui ouvir os primeiros acordes musicais quando, depois de passar pela Tabacaria Africana entre Arco do Teles e caminhei decididamente pela Travessa do Comércio até chegar na Igreja de Nossa Sra. Da Lapa dos Mercadores.

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Rua lotada, beijos, abraços, celebrações e um samba da melhor qualidade.

Rio é rua e rua é resistência contra toda tentativa de privatização do espaço público. Privatização e exorcização são as palavras de ordem, da ordem que o neopentecostal que ocupa o Palácio da Cidade quer implantar na cidade.

Tudo vanguarda do atraso, como ficou claro no primeiro pronunciamento do chefe (da nação ou da quadrilha, me perdi ai) ao defender como programa de governo o retrógrado e conservador lema Positivista: Ordem e Progresso.

Estou com Jorge Mautner, falta amor meu caros, falta amor!

Falta amor e alegria! Quem manda o recado é o meu parceiro @Ernesto Pires.

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E o amor chegou, junto com a resistência e a memória na forma do samba Plataforma, de autoria de João Bosco e Aldir Blanc. Samba que marca a identidade dos blocos carnavalescos que atravessam a cidade: “não põe corda no meu bloco/nem vem com teu carro-chefe/não dá ordem ao pessoal”, são os versos iniciais de um samba que denuncia as práticas e mecanismos de controle. Sugere, ainda, celebrar a alegria e espontaneidade com “passistas a vontade que não dancem minueto”, e a possibilidade de olhar para a rua e a cidade como lugar de fruição, de encontros e de confrontos, de conhecimentos e reconhecimentos recíprocos. De olhar a cidade como um espaço no qual, como argumenta Lefebvre, a prioridade do valor de uso se sobreponha à “orientação irreversível na direção do dinheiro, na direção do comércio, na direção das trocas, na direção dos produtos” que caracterizam o valor de troca no espaço urbano moderno.

Olha ai a galera cantando o samba Plataforma

https://youtu.be/z_6WLSkuKdM

Teve mais, teve muito mais! Aqueles que “…Sofrem o bafio da fera/O bombardeio de Caramuru/A sanha de Anhanguera” mandam avisar que vai ter luta.

Emoção a flor da pele cantando Nação

https://youtu.be/zIadZ4gSRCk

Inté

Sobre jorgesapia

Abduzido pela folia foi tentar entender esse fenômeno no bacharelado de Ciências Sociais da UFF e no Mestrado em Sociologia do IUPERJ. Com sua identidade secreta dá aulas de sociologia, cultura brasileira e Teoria Social do Carnaval em diversas instituições. Entre um semestre e outro, despede-se de seus alunos com um Meu Bem, Volto Já, saudação que acabou dando nome ao bloco que fundou no Leme. Durante o reinado de Momo compõe sambas para diversos blocos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Esse post foi publicado em Cidade, Crônicas, Democracia, Letras e sambas, Música, Memória. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Samba do Peixe #ocupaarua.

  1. jorgesapia disse:

    Abraços Dhyana

    Curtir

  2. Dhyana Fix disse:

    Olá , eu sou sua aluna do curso artes visuais .
    Me identifiquei com seu texto , pois acontece a mesma coisa quando eu saio com os meus amigos , nos vamos em buscar da felicidade , achar um lugar alegre , onde podemos se divertir , interagir com outras pessoas e compartilhando essa felicidade até corpo dizer chega .

    Curtido por 1 pessoa

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