Carnaval é festa e, como toda festa, é um tempo de luta, no nosso templo que é a rua!


 O Bloco Meu Bem, Volto Já dá ouvidos aos clamores feminino e folião das ruas da Cidade e estampa no peito o seu grito de Carnaval: Por um Rio de desejos! 

A artista plástica argentina Eugenia Dominguez, que em 2017 criou o projeto “Postales para Viajar“*, com o objetivo de conectar pessoas do mundo todo, é a autora do desenho da camiseta de 2018. Entusiasta e brincante do Carnaval carioca, Eugenia defende que a Cidade acolha respeitosamente a multiplicidade dos seus cidadãos e pulse viva e criativa como nos dias de folguedo.

Camiseta 2018

De alguma forma, a camiseta recupera o espírito de maio de 1968, data importante nas lutas pela ampliação de direitos e do primeiro grito contra esse processo de globalização responsável pela precarização das condições de trabalho, pelo aumento das desigualdades, pela ausência de compromisso na defesa da terra e seus recursos naturais. Está presente no desenho o morro da Pedra do Leme, sangrando.

Recupera também, o turbilhão criativo do Tropicalismo e o atualiza nas lutas contemporâneas que a mulher tem empreendido em todos os lugares: Não é não; meu corpo minhas regras; nenhum direito a menos; nenhuma a menos são palavras de ordem que precisamos assumir como próprias.

Para Eugenia Domingues um Rio desejado “é um espaço para compartilhar. Uma cidade apaixonada que valoriza a igualdade, que pulsa absolutamente com toda a sua diversidade. como mulher, artista e cidadã… não pude ignorar e deixar de pensar sobre questões atuais: a rua Como espaço para manifestações políticas e culturais, em especial o carnaval.”

Por isso, na contramão dos desejos individuais que pretendem fazer do Rio e do país uma terra de ninguém e inabitável, propomos um Rio desejado pelos inúmeros coletivos que mantém viva a cidade.

Na contramão da proposta canalha expressa na patética frase: “tem que manter isso aí viu!”, propomos exatamente o contrário:

NÃO TEMOS QUE MANTER NADA DISSO QUE ESTÁ AÍ VIU!!!

Por isso o bloco carnavalesco MEU BEM, VOLTO JÁ! Convida a todos a fazer um lindo desfile na terça-feira 13 de fevereiro e propõe engrossar o caldo para construir um Rio desejado pelos coletivos da cultura, do carnaval, dos blocos de rua, da esquerda na praça, das rodas de samba – hoje ameaçadas – que podem ser encontradas em todo canto da cidade. Rodas que ao ocupar a rua com alegria ressignificam o espaço, agregam vontades e desejos coletivos de um mundo e de uma cidade melhor!

Carnaval é isso, campo de luta.

Evoé!

Sobre jorgesapia

Abduzido pela folia foi tentar entender esse fenômeno no bacharelado de Ciências Sociais da UFF e no Mestrado em Sociologia do IUPERJ. Com sua identidade secreta dá aulas de sociologia, cultura brasileira e Teoria Social do Carnaval em diversas instituições. Entre um semestre e outro, despede-se de seus alunos com um Meu Bem, Volto Já, saudação que acabou dando nome ao bloco que fundou no Leme. Durante o reinado de Momo compõe sambas para diversos blocos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Esse post foi publicado em Blocos de rua, Carnaval, Cultura, Cultura Popular, Direitos, Feminismo, Textos. Bookmark o link permanente.

5 respostas para Carnaval é festa e, como toda festa, é um tempo de luta, no nosso templo que é a rua!

  1. mariel disse:

    Vou ler com certeza

    Curtir

  2. jorgesapia disse:

    Posso te indicar alguns trabalhos meus que pensam nesssa perspectiva. Alias, no blog tem alguma coisa na aba Textos ou artigos. abraços

    Curtido por 1 pessoa

  3. mariel disse:

    Compreendo o ponto, acho. Não havia visto dessa forma o carnaval, como uma manifestação de resistência. De fato, não sei se consigo.

    Curtir

  4. jorgesapia disse:

    Oi Mariel, bom dia. O Carnaval sempre foi um campo de luta. Aqui, no Rio, essa luta se apresneta desde meados do século XIX quando as novas camadas burguesas começam a se apropriar do carnaval popular e definir, na virada do século, o tipo de festa que a cidade faria. O entrudo, herança portuguesa popular, foi substituído pelas por um carnaval mais europeizado.
    Hoje, a disputa pelas representações da cidade se fazem presente num carnaval que tem uma temporalidade extendida.

    Curtir

  5. mariel disse:

    Achei lindo o desenho, mas sinceramente não vejo o Rio (e o carnaval daí) um “campo de luta”. Me alegra saber quem tente o transformar nisso. Estamos precisando de pensantes.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.