PAPO DE ÍNDIO


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Há um movimento de retorno a tempos navegados com extrema dificuldade. Da maravilhosa e realística certeza dos terraplanistas,  à informação, mantida relativamente oculta até bem pouco tempo, do Casaco de Marx* na Revolução (ou movimento) Francesa de 1789.

Eu, por mim, prefiro voltar ao poeta Chacal e ao Papo de índio e ao registro do Bloco Cacique de Ramos, feito pelo mestre Erno Schneider no carnaval de  1964.

PAPO DE ÍNDIO

Chacal


Veiu uns ômi di saia preta
cheiu di caixinha e pó branco
qui eles disserum qui chamava açucri
aí eles falarum e nós fechamu a cara
depois eles arrepitirum e nós fechamu o corpo
aí eles insistirum e nós comemu eles.vocês repararam como o povo anda triste ?
é a cachaça que subiu de preço
a cachaça e outros gêneros de primeira
necessidade
cachaça a dois contos, ora veja,
veja a hora,
que horas são,
atenção
apontar:FOGO

*Stallybrass, Peter. O Casaco de Marx: Roupas, memória, dor. Autêntica Editora. 2016.

Sobre jorgesapia

Abduzido pela folia foi tentar entender esse fenômeno no bacharelado de Ciências Sociais da UFF e no Mestrado em Sociologia do IUPERJ. Com sua identidade secreta dá aulas de sociologia, cultura brasileira e Teoria Social do Carnaval em diversas instituições. Entre um semestre e outro, despede-se de seus alunos com um Meu Bem, Volto Já, saudação que acabou dando nome ao bloco que fundou no Leme. Durante o reinado de Momo compõe sambas para diversos blocos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
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