Buenos Aires. Recomendações 2.


Concluí o post anterior com uma foto do ministro da economia do Brasil, o banqueiro Paulo Guedes, responsável pelo projeto de Reforma da Previdência que colocará na precariedade uma enorme parcela da população brasileira. Essa parcela é composta, por uma lado, pelas vítimas de sempre, isto é, os setores mais pobres da população; e por outro, por aqueles que por algum exercício da imaginação ainda não conseguiram entender que serão as futuras vítimas de um sistema global excludente e, ao que tudo indica, muito mais perverso que os fascismos conhecidos.

 

Tinha iniciado meu recorrido pela cidade de Buenos Aires pela Plaza de Mayo, localizada em frente à Casa Rosada, rodeada de ministérios e repartições públicas, vizinha da Catedral Metropolitana. Esse espaço público  tem uma extensa tradição na luta dos setores populares e, desde o 30 abril de 1977, com a ocupação desse espaço pelas Madres de Plaza de Mayo se transformou em espaço de memória e centro de luta pela defesa e promoção dos direitos humanos.

Começa na praça, no sentido oeste, a Avenida de Mayo e segue por quase dois quilômetros até encontrar a Plaza de los dos Congresos . A avenida foi construída na última década do século XIX dando início ao processo de modernização e transformação urbana que tinha, na París de George Haussmann, o modelo a ser seguido por esta e por outras capitais. Governar por retas, lema do processo modernizador, implicava na construção de largas avenidas e espaços verdes generosos. Esse mesmo modelo será seguido no Rio de Janeiro na década seguinte durante administração do prefeito Pereira Passos com a construção da Avenida Central, hoje Rio Branco.

Na praça tem início as duas diagonais. Diagonal norte no sentido ObeliscoTeatro Colón e Tribunales. Diagonal sur, no sentido San Telmo, Barracas e o bairro de La Boca.

 

 

 

 

Do lado par da rua encontra o Cabildo e o Pasaje Rovedaro nos conectando com a Paris de Walter Benjamim. Do outro lado da rua se apresenta, majestoso, o edifício do jornal La Prensa.

Mais adiante, na esquina com a rua Florida encontramos a confeitaria London City cenário de algumas passagens de Los Premios de Julio Cortazar. Eis a minha primeira recomendação de parada para um café.

Os turistas talvez prefiram ir ao encontro do Café Tortoni mas, vou logo avisando, encontraram, além de filas consideráveis, uma pequena república brasileira. Para quem já jogou sinuca nos fundos do Tortoni, confesso que essa deslumbrada ocupação não me agrada. De qualquer forma, estando ali, recomendo uma visita o Museu do Tango e, se der, tomar umas aulas quase particulares por um preço bem acessível.

Para aqueles que gostam de cafés charmosos recomendo um pequeno desvio de trajeto até o Petit Colón, na rua Libertad esquina Lavalle.

Voltando à Avenida de Mayo, artéria que mistura fachadas em estilo Art Déco e Art Noveau, encontramos, no número 1152, o Hotel Castelar. Lugar que teve entre seus hóspedes o poeta espanhol Federico Garcia Lorca.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sempre que passo por aí dou uma esticada para almoçar ou jantar no Plaza Asturias e, dando sequência à caminhada, faço uma visita ritual ao Palácio Barolo , alter ego do Palácio Salvo construído em Montevidéu.

 

Sobre jorgesapia

Abduzido pela folia foi tentar entender esse fenômeno no bacharelado de Ciências Sociais da UFF e no Mestrado em Sociologia do IUPERJ. Com sua identidade secreta dá aulas de sociologia, cultura brasileira e Teoria Social do Carnaval em diversas instituições. Entre um semestre e outro, despede-se de seus alunos com um Meu Bem, Volto Já, saudação que acabou dando nome ao bloco que fundou no Leme. Durante o reinado de Momo compõe sambas para diversos blocos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
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2 respostas para Buenos Aires. Recomendações 2.

  1. jorgesapia disse:

    Obrigado pela leitura Isa. Um abraço carinhoso.

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  2. Isa Ueda disse:

    Que post perfeito! Adorei toda a descrição da Avenida de Mayo. Minha recomendação de café também é sempre o London City!

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