Sócrates e a Autoconfiança – Alain de Botton

Agradeço ao blog https://filosofianaescola.com/ por ter disponibilizado o vídeo.

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TANGO, UM SENTIMENTO QUE SE DANÇA.

Vídeo de lançamento de enredo do G.R.E.S. Acadêmicos de Vigário Geral para o carnaval 2018: DOS TAMBORES AFRICANOS AO BANDONÉON: TANGO, UM SENTIMENTO QUE SE DANÇA.

Fonte: https://sambanaintendente.blog

 

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Não dá mais pra segurar! Chega uma hora que chega!

A Estação Primeira de Mangueira deu a conhecer, ontem, os 14 sambas que disputaram o título do carnaval em 2018. O enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro eu brinco” definiu uma oposição frontal às propostas da Prefeitura em relação ao carnaval: não reconhecimento da festa, diminuição da verba oficial para os desfiles e, como já falei em outro lugar, tentativas de por “corda no meu bloco” além de acenar perigosamente para o mercado.

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O enredo da Estação Primeira, reconhece o crescimento e consolidação do carnaval de rua. Carnaval que tem uma alegria que é “nossa riqueza”, além de ter tido a capacidade de pôr o “dedo na cara e assina (r) a direção de novo” nos diversos processos de carnavalização Brasil afora desde os movimentos de junho/julho de 2013.

Na mesma batida, o enredo repolitiza a Sapucaí e joga uma rede que pode atrair aqueles que se afastaram de uma avenida que privilegiou o espetáculo, o glamour a desodorização do espaço.

O enredo do Leandro Vieira propõe invadir as frestas da festa e mostrar na avenida que o “Rei está nú”. Clamapelo espírito de “um” Arengueiro capaz de “atiçar e embalar a multidão”. Propõe um samba de confronto, de luta que não todas as parcerias conseguiram realizar.

Se houver afinidade entre o carnavalesco e a direção da escola é provável que cheguem na final as parcerias abaixo:

  1. Tantinho, Alípio Carmo e Guilherme Sá, Paulinho Bandolim, Ronaldo Barcellos, Lacyr D’Mangueira e Guto Garcia, vem com um samba guerreiro, que sintetiza em um verso aquilo engasgado na garganta da sociedade que não bateu panela “chega uma hora que chega”, além de render tributo a Jorge Aragão em Coisa de Pele, afirma que:

SE É PECADO SAMBAR, NÃO QUEREMOS PERDÃO
IMPOSSÍVEL NEGAR A NOSSA DEVOÇÃO
COM DINHEIRO OU SEM DINHEIRO
VEM CANTAR PRO MUNDO INTEIRO
SILENCIAR A MANGUEIRA NÃO

2. Hélio Turco, Felipe Filosofo, Deivid Domenico, Serjão e Silvio Mama. Samba combativo do mesmo naipe que seus autores. Deivid é parceiro e conseguiu incorporar uma referência à manifestação, samba de sua autoria que vem sendo cantado com gosto e entusiasmo em 9 de cada 10 manifestações. A parceria revela aquilo que o Planalto finge não ouvir. De fato, “UM GRITO JÁ ECOOU/NÃO DÁ MAIS PRA SEGURAR”, é mote para reivindicar a rua  como espaço de congraçamento, de comunicação, de luta e de festa:

DERRUBEI A REPRESSÃO DA ALEGRIA
A RUA ME ENSINOU A COMPOR
A LIBERDADE NÃO COMBINA COM SENHOR
E ASSIM NOS BRAÇOS DO POVO
O BLOCO DE SUJO É A VOZ DA NAÇÃO

http://www.carnavalesco.com.br/noticia/mangueira-2018-samba-da-parceria-de-helio-turco-e-felipe-filosofo/57497

3. Lequinho, Júnior Fionda, Alemão do Cavaco, Gabriel Machado, Wagner Santos, Gabriel Martins e Igor Leal vem para defender o bicampeonato.

Mas, como tudo é possível, tem o samba do Cesinha Maluco e do meu parceiro -bom de caneta e boa voz – hoje intelectual orgânico do Bispo que resolveu levar sua experiência no carnaval de  rua para a avenida. Se juntou com a tribo do Índio da Costa, família garrada no poder municipal faz tempo e resolveram colocar na disputa um samba feito nas normas da arte mas, na minha leitura, sem a força e o compromisso pela luta que a sinopse indica.

Vai que exista um desentendimento entre o carnavalesco e a direção da escola ( ou da LIESA) e estas resolvam  desinvestir nas críticas “a tudo isso que está aí” compondo, uma saída negociada, pela via de um samba morno.

Cá por mim estou torcendo pelos dois primeiros. Evoé.

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Carnaval e a desobediência civil.

O carnaval volta a surpreender. O mundo das escolas de samba está mostrando um dinamismo e ousadia que pode ser um divisor de águas num campo que se caracterizou pelos enredos laudatórios e ornamentais.

O querido mestre Wilson das Neves antes de partir avisou que

O dia em que o morro descer e não for carnaval
ninguém vai ficar pra assistir o desfile final
na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu
vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil
(é a guerra civil)

Os enredos da Estação Primeira de Mangueira e da Mocidade Independente de Padre Miguel refletem, entendo,  essa leitura. A sinopse da Mangueira pode ser vista como uma resposta rápida e precisa aos desastrados movimentos que o alcaide evangélico, empossado na cidade do Rio de Janeiro, fez na direção do mundo do samba. No mundo das escolas, reduzindo, pela metade,  o patrocínio. Sei que isso é matéria controversa mas registro a intenção do confronto iniciado por um prefeito que nada sabe de carnaval e desconfio pouco saiba da cidade que administra. No mundo do carnaval de rua,  a julgar pelas medidas que objetivam limitar o carnaval  e implementar um “blocometro” na cidade, o conflito está colocado. Mas não é disso que quero falar aqui. Estou escrevendo mobilizado pelo belo samba da parceria Althay Veloso e o Paulo Cesar Feital que está concorrendo na Mocidade. 

Reproduzo abaixo a sinopse do enredo escrita por Fábio Fabato. Quem, após a leitura, desejar acompanhar a safra de sambas concorrentes poderá fazê-lo no site http://www.carnavalesco.com.br/ . É interessante observar a forma como cada parceria foi dialogando com a sinopse até encontrar o resultado final. E ai temos de tudo, até a estranha rima de Anaué com Namastê num dos sambas concorrentes. Anaué, vocábulo de origem tupi cujo significado é  “você é meu irmão“, foi apropriado pela Ação Integralista Brasileira, transformando-se em saudação do movimento proto-fascista fundado por Plínio Salgado na década de 1930.  A não ser que o samba seja patrocinado pelo MBL, a rima revela uma incompreensão da sinopse ou do momento delicado que vive o pais. A sinopse  está mais para Henry Thoreau, autor do clássico A desobediência civil, que para o Mussolini, tanto o de ontem quanto (s) o (s) de hoje. Costuma-se dizer, neste universo, que uma vírgula pode derrubar ou tornar vitoriosa uma composição. Nesse caso é uma vírgula carregada, pena.  Vamos aguardar para ver.

Tanto a Mocidade quanto a Mangueira, (ainda não vi o resto) entendem que “Há na festa uma fresta”. E apostam que será pelas  “frestas dessa festa” que o início do fim dessa ordem autoritária, patrimonialista e excludente vai começar a sambar.

Entendo que é chegado o tempo de “desobedecer para pacificar”. 

Sinopse do Enredo

(O negrito é meu em função do que entendo foi privilegiado pela parceria.)

Enredo: “Namastê… A estrela que habita em mim saúda a que existe em você”

Carnavalesco e autor do enredo – Alexandre Louzada

Autor da sinopse – Fábio Fabato

Introdução

O início, o fim e o meio, quando olhamos para o alto, são as estrelas. Aqui e em qualquer lugar do planeta. E é junto delas que mora Kamadhenu, divindade que toma a forma de uma vaca sagrada e flutua na agitação do oceano cósmico, mãe celestial, provedora da abundância. Segundo os escritos hindus, lá de cima, com suas tetas abençoadas, jorra o leite, alimento primeiro da vida, e consegue realizar todos os sonhos. Bem, o início, o fim e o meio dessa história são formados por encontros que parecem escritos justamente nas estrelas. A partir da Via Láctea, chamada de rio Ganges do céu, desce o líquido da inspiração que irriga nossa escola e torna possível o congraçar de duas terras. A bênção para o casamento começa no deus Brahma (início), então adormecido no azul, e que desperta para conceber o universo todo. Depois, aparece Vishnu (meio), a energia mantenedora dessa criação esplendorosa. Shiva (fim), o deus da transformação de todas as coisas, a dança das possibilidades do destino, energia que movimenta a invenção e a destruição do que existe, completa a Trimúrti, trindade suprema que nos abre alas – à moda do que acontece nos terreiros de samba. Eis a permissão superior para rufarem os tambores de nossa festa, com Rama e Sita nos cuidados para a perfeita harmonia, e Ganesha, força contra os obstáculos, sinalizando evolução livre nessa Avenida da utopia real. Hora de abrir a cortina do passado.

Sinopse do enredo

Namastê… A estrela que habita em mim saúda a que existe em você

E vem então a clássica cena do navegante vidrado no mar a ser desbravado. O início, o fim e o meio da jornada rumo ao desconhecido, ao lado das estrelas, eram águas salgadas e bravias, a primeira imagem, e também a derradeira, a dobrar a curva imaginária lá no horizonte. Ele se jogou. Por descuido ou conveniência, o português errou o caminho rumo ao oriente na rota das especiarias e foi dar, vejam só!, no litoral brasileiro, redescobrindo o já descoberto por aqueles a quem, preguiçosamente, resolveu chamar de índios. Velas ao vento, sem saber ou muito sábio (vá saber…), enamorou as partes “Índias”– religiões, formações, culturas, desigualdades sociais e independência suada – unindo-as, mesmo que com oceanos de distância. A pluralidade de tais extensões permitiu a incorporação de valores, sabores, olores, salpicando estilo indiano no cenário indígena natural. Já que sem a Índia talvez nem houvesse este Brasil de agora, foi saudação fluida, gostosa, num troca-troca de peculiaridades que se tornaram jeitinhos nossos. E o tempo tratou de gravar n’alma.

“Namastê!”, a essência estrelada que habita em mim saúda a que existe em você. Apesar de significar cumprimento, a expressão encantou-se com a intenção de reconhecer o ser que existe no outro. E este Pindorama tropical, convidativo e miscigenado viu brotar por cá um pouco mais de poesia e identidade do que nos ensinam no colégio. Se daquela enorme porção de Ásia ecoavam histórias de guerras, conquistas e amor – como a do palácio de pedras preciosas que virou a mais bela prova do sentimento de um monarca por sua escolhida – por aqui também brilhavam sagas verdadeiras ou fantásticas. Sim, os nossos índios adoravam astros, transmitiam lendas, e havia no ar um etéreo enlace geográfico já em flor. Prima-irmã da asiática flor de lótus, adereço de Brahma, a vitória-régia nasceu da paixão da índia Naiá por Jaci, ou Lua, obra divina de Tupã – o trovão supremo da criação, sopro da vida. A partir de encontros assim entre crendice e realidade, e que redesenhavam – várias vezes à força –, a natureza genética, social e econômica da terra antes virgem, aconteceu o primeiro beijo com a Índia. E ele deixou um gostinho doce nos lábios.

Fato é que a cana-de-açúcar veio encantadora de longe, ganhou status de grande riqueza agrícola, motor do Gigante inda menino. E aí, sem doçura qualquer, mas de um azedume dos diabos, impôs a estrutura desigual da sequência – escravocrata por desviado princípio. “Ringe e range, rouquenha, a rígida moenda” e, daqueles arranhões e ruídos que arrepiavam o engenho, saíram o açúcar, a garapa e, como não?, a boa e velha pinga, fino da nossa bossa. Além disso, a Colônia iria conhecer o poder das joias, da seda, danças, e um curioso cheirinho bom que enfeitiçou o cangote da nobreza. Deu em revolução na moda das sinhás que andavam sobre liteiras, algumas inspiradas no transporte da elite indiana. O sândalo perfumou os leques que, no vaivém para espantar o calor do Verão naquele precário e apaixonante chão, sopraram nova essência para os movimentos históricos. E a chita virou marca, tecido porreta, o belo e o feio no país que nasceu contraditório. Transitou na corte, no baixo clero, virou discurso de quem tanto quer causar quanto desaparecer na multidão, a depender da estampa. Vestido de princesa ou toalha de mesa, madame? Mas foi justamente à mesa a maior das delícias do matrimônio que nos inventou, reinventou e, é claro, danou de também recriar o que veio de tão longe. Impossível não notar que a culinária brasileira versa sobre a nossa cultura tal qual a música, os pincéis, os corpos em balanço. E a Índia não se intimidou quando convidada a invadir o cardápio.

Ora, o comércio das especiarias nos entregou, no começo de tudo, a pimenta-do-reino, a noz-moscada, o gengibre, o cravo, a canela. Ou seja, nascemos assim, crescemos assim, somos mesmo assim, vamos ser sempre assim – plenos de sabores e aromas que inspiram a arte e os costumes. “No tabuleiro da baiana tem… Vatapá, caruru, mungunzá, tem umbu pra iôiô…”. E quem há de negar que a Índia foi incremento para este paladar eternizado na voz de Carmem Miranda? Já as frutas indianas viraram autênticos discursos de um Brasil que, mais à frente, se quis grande e bronzeado para mostrar o seu valor. As nossas morenas ganharam cor de jambo na praia, o coco – da cocada, cuscuz e dos manjares – virou Aquarela, dádiva do tronco forte aonde Ary Barroso amarrou a sua rede nas noites claras de luar. Mas nenhuma outra nos fez a República que viramos, de democracia ‘vezenquando’ vacilante, quanto a banana. Yes, nós temos! Para dar, vender, engordar e, quiçá, crescer. Inda houve três árvores asiáticas que, de batuque em batuque, quem diria?, deram o toque de mestre à receita do carnaval. A mangueira inspirou certa supercampeã Estação Primeira, do verde e manga-rosa inconfundíveis. E o “Corta-jaca”, de Chiquinha Gonzaga, que escandalizou os conservadores quando executado no Catete? Sim, ele é filho da mesma jaqueira que encantou o voo seminal da Águia Altaneira de 22 carnavais vitoriosos. Para completar, um obrigado do fundo do nosso quintal para quem, à sombra da tamarindeira, caciqueou por dias a fio e, incansável, só foi parar na cinzenta quarta-feira.

Já esta brincadeira não cessa agora. Prepare o seu coração pro que eu vou contar: bem mais de século faz que, sob o mesmo signo da transação com temperos, o boi Zebu indiano também cá desembarcou, sujeito e predicado, valioso de tudo. Corcova alta ou cupim, cabeça no lugar, sábio fazedor-pensador da vida, em nosso pedaço se pôs até a filosofar sobre os homens – estes que, coitados, não sabem ouvir “nem o canto do ar, nem os segredos do feno” – incapazes, portanto, de perceberem outro ambiente, que não o da própria razão. O Zebu, pelo contrário, fez daqui o seu novo mundo, virou brasileirinho, cultura popular, economia vigorosa e até poesia matuta. Quem não sabe do formigueiro que picou o animal preguiçoso que só queria ‘cuchilá’ à sombra do juazeiro? Do rio Ipojuca, mestre Vitalino consagraria o boi que veio da Ásia na arte sertaneja, forjando e cristalizando do barro, com as mãos, a imagem de um torrão do Nordeste que escorreu aos quatro cantos a partir do fuzuê da feira de Caruaru. Sagrado para quem fica do outro lado do mar, o bicho à brasileira é Guzerá, Indubrasil e, na criatividade das manifestações, Mansinho, de Mamão, Bumba-Meu-Boi, Boi-Bumbá, ah…, e o que mais a imaginação dessa gente puder tratar de misturar. Eis aí o nosso charme. E também destino. Indeléveis.

Mas destino mesmo é o de sermos independentes, tal qual a Mocidade, assim eternizada em pia batismal, palco desse casamento sem fronteiras aqui. Gente é pra brilhar, para ser livre pelas veredas concretas da paz, sábia senhora, via dos inquietos, dos sonhadores, dos inconformados diante da desordem das coisas e desse mundo louco. A desobediência civil pacífica do líder Mahatma Gandhi, que encontrou no calor da resistência não armada a senha da liberdade de seu país, foi semente, perfume e tempero indianos de senhora pregnância. E ressonância. Viramos, e fomos, e somos, e seremos todos Filhos de Gandhi, cujo Afoxé exubera axé, e filhos do axé de nossos próprios mensageiros de luz nacionais. De Betinho, com quem sonhamos em regresso no barco da volta, passando por Gentileza e sua urbana poesia naïf saída do fogo, até Mãe Menininha do Gantois, Chico Xavier, Chico Mendes, Dom Hélder Câmara, Abdias do Nascimento, Irmã Dulce, Mãe Beata de Iemanjá… Tantas, tantos. Pinta o rosto, meu amor, igualzinho ao que ocorre no milenar festival Holi, das Cores, na Índia, que celebra o triunfo do bem sobre o mal. Chama todo o pessoal e manda descer pra ver: hoje é carnaval!

Nesse fraterno banho-ritual de mitos em águas de aproximação, Ganges então se funde com outro rio em igual medida abençoado, nosso Rio de Janeiro, mas também de fevereiro, março, abril – do famoso requebro febril – semeado pela velha Guanabara mater por onde um dia desembarcou o navegante que partira com olhos de cobiça. Assim, voltamos ao começo, à descoberta que se tornou mescla, e a história faz um círculo descrevendo a simbologia da mandala, no girar da roda do tempo que nunca para. Eis o completo entrelaçar de mensagens, sonhos e sagas de dois povos, Brasil e Índia, sob o cuidado atento de alguém que, sagrado e superior, inclusivo e sincrético, nos legou justamente a mensagem dos citados pacifistas e o autoconhecimento para decodificarmos a gramática percussiva dos nossos corações, por vezes tão vagabundos. Foi um profeta Maluco Beleza que nos contou certa vez sobre este ser divino que é em si filosofia de vida para quaisquer recantos e crenças, sob formas, feições e tambores variados. Alguém que, feito da terra, do fogo, da água e do ar, tudo vê e, mais longe: tudo é. A luz das estrelas, a cor do luar, a mãe, o pai, o avô. O filho que ainda não veio. O início, o fim e o meio.

Fábio Fabato

SETORES

1) Eram os deuses abre-alas…
2) Segredos de uma “Índia” com bons selvagens
3) Colônia lusitana com fragrância asiática
4) Identidade e poesia em mesa farta
5) Nosso boi brasileirinho
6) Gandhi e os mensageiros da paz

“Enredo dedicado ao Movimento Autofagia Independente, que despertou ainda mais a essência que habita em mim para a essência da Mocidade.” (Alexandre Louzada)
“Texto dedicado aos Trindades da Mocidade, figuras e energias que criaram, mantêm e encantam os destinos da escola…” (Fábio Fabato)

 

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Sueño o realidad. Giorgio de Chirico

En el campo de lavanda

“Para llegar a ser verdaderamente inmortal, una obra de arte debe escapar a todos los límites humanos: la lógica y el sentido común solo interfieren”. G. de Chirico (1888-1978).

tristeza

                                          La tristeza de la primavera (1970)

Maniquíes sin cara, plazas italianas, baños misteriosos, jardines amueblados. En la pintura de G. de Chirico todo es posible. Los hombres se convierten en objetos y los objetos se convierten en dioses mientras la arquitectura y la mitología dialogan.

A Giorgio de Chirico se le considera el padre de la pintura metafísica porque explora el mundo interior a través de los objetos cotidianos, porque conecta directamente con lo simbólico y con el inconsciente. Se le considera inspirador de Dalí, R. Magritte, Andy Warhol, del Pop Art.

Cuando paseas por entre las 142 obras: cuadros…

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” Trem noturno para Lisboa” é uma luz em tempos sombrios.

Em tempos de incerteza generalizada há sempre a possibilidade de encontrar ilhas de equilíbrio tão necessárias à preservação da saúde mental. A literatura e o cinema costumam produzir essas ilhas que tem, não poucas vezes, a capacidade de transformar-se em continentes, em espaços mais generosos que permitem a expansão do horizonte do possível.

O acaso, no sentido de aleatório e indeterminado, mas também no sentido de sorte, me fez pressionar a tecla do controle remoto que abriu, na tela da TV, o filme “Trem noturno para Lisboa”. Soube, depois de tê-lo assistido, tratar-se da adaptação do livro homônimo de Pascal Mercier, pseudônimo  do filósofo suíço Peter Bieri.

A trama se orienta na pergunta formulada por Amadeu Inácio de Almeida Prado, autor de Um Ourives das Palavras (criador e criatura frutos da ficção): “Se é verdade que apenas podemos viver uma pequena parte daquilo que em nós existe, então o que acontece ao resto?”  A probabilidade de viver todas as possibilidades contidas, em potência, em nós, seres plásticos e indeterminados, só existe no Aleph, conto de Jorge Luis Borges que revela “o lugar onde estão, sem se confundirem, todos os lugares do orbe, vistos de todos os ângulos” onde estão portanto, todas as possibilidades do “Jardim dos caminhos que se bifurcam” só para continuar com Borges.

A procura pelos acontecimentos possíveis pela recuperação da memória dos personagens que vão surgindo, com vigor e delicadeza, na narrativa urdida numa Lisboa iluminada pelas luzes cálidas do outono, são um convite às descobertas e à construção de afetos. Vale a pena conferir.

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Saber e não saber… eis a questão!

Cosmos Psi

hamlet

Por que saber nem sempre é suficiente?

Entre os questionamentos que surgem a partir da escuta clínica, e que fazem refletir, está o papel do saber durante o tratamento psicoterápico. Percebe-se que às vezes o sujeito possui consciência de que repete determinadas atitudes que são prejudiciais a si e/ou aos outros, ou consegue relacionar os sintomas que apresenta a algum fato de sua vida, mas isso não produz modificações nos sintomas ou nas suas ações.  O que pode ser observado, portanto, é a existência de um saber do lado do sujeito que não faz efeito no sentido de uma mudança.

Para pensar a questão do saber durante o tratamento é preciso relacioná-lo ao mecanismo da repressão. Na teoria freudiana, os sintomas são o substituto de algo que foi afastado pela repressão. Segundo Freud (1937) as repressões ocorrem na primeira infância, sendo medidas de defesa feitas pelo ego imaturo. Posteriormente podem…

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