12 segundos de oscuridad.

https://www.magnusmundi.com/sentinelas-da-bretanha/

Apareceu essa foto e esse link do farol de La Jument e lembrei da música de Jorge Drexler sobre o farol de Cabo Polônio em Uruguai.

Deixo o link abaixo.

Abraços

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Estéticas decoloniales. Walter Mignolo.

www.youtube.com/watch

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O nazismo é de extrema direita.

conversadehistoriadoras.com/2019/04/05/o-nazismo-e-de-extrema-direita-por-keila-grinberg-e-monica-grin/

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Rio de Janeiro pela lente de Custódio Coimbra.

O amigo Custódio Coimbra está aniversariando e nos dá de presente essas lindas imagens

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Preconceito

Segundo o Aurélio, preconceito se refere ao “Conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; ideia preconcebida. 2. Julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que os conteste; prejuízo. 3. P. ext. Superstição, crendice; prejuízo. 4. P. ext. Suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos, religiões, etc.:”

O preconceito tem um caráter social. Os seres humanos nascem livres de preconceitos, eles são construídos socialmente e geralmente servem para manter e consolidar a coesão social, a integração do grupo ou da sociedade, contribuindo com a construção da ordem social que resulta da implantação, através de processos de socialização, dos valores ou da visão de mundo dos setores dominantes.

Devemos diferenciar, contudo, o preconceito do etnocentrismo. A noção de etnocentrismo, é utilizada para designar as visões que identificavam à fronteira da humanidade com a própria sociedade, língua, classe social, religião ou caráter nacional, colocando tudo o que se encontra além dessa fronteira no terreno da natureza ou do não civilizado.

A sociologia ensina que olhar e explicar o mundo desde um ponto de vista centrado na própria experiência social e cultural é uma disposição universal dos seres humanos. Sendo a humanidade sociocêntrica, o etnocentrismo é, do ponto de vista sociológico, um fenômeno normal. Normal, no sentido em que acontece em todas as sociedades conhecidas.

O preconceito, por sua vez, se caracteriza por uma tomada de posição moral. O indivíduo com predisposição para o preconceito rotula o comportamento diferente, isto é, desqualifica e deslegitima o comportamento daqueles cujos valores não coincidem com os valores do grupo de referência. Geralmente o preconceito apresenta-se com um conteúdo negativo, isto é, na medida em que não é facilitador de um processo reflexivo que ajude a contemplar e refletir sobre a diversidade humana, permitindo de alguma maneira o exercício da tolerância. Assim, os juízos provisórios que, mesmo desmentidos pela análise científica ou por argumentos racionalmente elaborados, se mantém inalterados, são considerados preconceitos. Dependendo de sua intensidade o preconceito pode ser perigoso para a sociedade e para o indivíduo. Os elevados índices de violência orientados por preconceitos contra diversas minorias atestam o perigo que uma atitude preconceituosa, intolerante, de negação das diferenças, pode representar para a sociedade. A história está cheia de exemplos sobre a “banalidade do mal” orientada por atitudes preconceituosas – racistas ou homofóbicas – cuja intensidade é bem maior nos contextos nos quais a liberdade de opinião não pode ser exercida.

A liberdade de opinião, consagrada como direito humano fundamental desde a Declaração de Direitos na Revolução Francesa, em 1789, encontra-se limitada pelo direito do outro de não ser difamado, discriminado ou violentado por suas escolhas de consciência ou preferências afetivas e sexuais.

 

 

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A Esquerda da Praça e a Igreja do Diabo.

A procura de um artigo sobre preconceito que imaginava tinha publicado aqui no blog encontrei esse registro de novembro de 2016. Chama minha atenção, a ausência, no texto, de personagens hoje centrais na política brasileira.

A festa é boa para pensar

Passei na Praça São Salvador – pulmão libertário do bairro carioca das Laranjeiras –  a procura de um pouco de oxigênio, elemento em falta no atual mercado mundial. O povo da Praça se convocou para dar uma força ao querido parceiro Eduardo Gallotti. Para quem não sabe, o Galo teve seu cavaquinho de estimação, seu ganha pão, furtado por um gatuno, espécie em alta no mercado.

A nata da MPC (música popular carioca) se fez presente e as canjas foram inumeráveis. As cervejas foram escasseando na proporção inversa da alegria que se deixava perceber no rosto  das pessoas.

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Entre um beija aqui e um abraço lá me entretive numa conversa amena com José Roberto Franco Reis, amigo de longa data e autor de um texto sobre Machado de Assis e Foucault que publiquei, recentemente, neste espaço. A conversa nos levou para esse quadro de ladeira abaixo do cenário mundial que…

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Feira livre, cidade, Umberto Eco e Borges.

Domingo de sol no Rio de Janeiro passei na feira livre de Copacabana e me deixei levar pela maré de cores, cheiros e sabores que não conseguem ficar contidos nas barracas em que as mercadorias são expostas, invadindo nossas narinas, nos convidando a manter uma relação tátil e olfativa com peras, maças, laranjas, tomates, cebolas, bananas e etc. Há um diálogo permanente entre essa profusão produtos, assim como há um convite a cada passeante para manter todos os sentidos aguçados, na tentativa de dar conta dessa indizível lista de produtos expostos com esmero e um senso estético maravilhoso.

Enquanto atravessava  barracas que ofereciam os mais diversos produtos lembrei do livro A vertigem das Listas do escritor italiano Umberto Eco, publicado aqui no Brasil em 2010 pela editora Record. Lembra Eco, no capítulo a Lista de Coisas, “O temor de não conseguir dizer tudo não acontece apenas diante dos nomes, mas também diante de uma infinidade de coisas”.

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Essa abundância de cores, texturas e sabores me levou, entre uma barraca de especiarias e outras de frutas e legumes, a lembrar que também “são indizíveis os lugares” e assim , enquanto olhava com carinho para um prato de pimenta de cheiro lembrei de Jorge Luis Borges, observando o universo inteiro através do Aleph e percebendo a impossibilidade de completar qualquer lista de lugares de “pessoas e estonteantes epifanias” como lembra Eco.

Aproveito e transcrevo parte do conto de Borges. O texto completo no link abaixo.

Abraços

El Aleph

Jorge Luis Borges

Arribo, ahora, al inefable centro de mi relato; empieza, aquí, mi desesperación de escritor. Todo lenguaje es un alfabeto de símbolos cuyo ejercicio presupone un pasado que los interlocutores comparten; ¿cómo transmitir a los otros el infinito Aleph, que mi temerosa memoria apenas abarca? Los místicos, en análogo trance, prodigan los emblemas: para significar la divinidad, un persa habla de un pájaro que de algún modo es todos los pájaros; Alanus de Insulis, de una esfera cuyo centro está en todas partes y la circunferencia en ninguna; Ezequiel, de un ángel de cuatro caras que a un tiempo se dirige al Oriente y al Occidente, al Norte y al Sur. (No en vano rememoro esas inconcebibles analogías; alguna relación tienen con el Aleph.) Quizá los dioses no me negarían el hallazgo de una imagen equivalente, pero este informe quedaría contaminado de literatura, de falsedad. Por lo demás, el problema central es irresoluble: la enumeración, siquiera parcial, de un conjunto infinito. En ese instante gigantesco, he visto millones de actos deleitables o atroces; ninguno me asombró como el hecho de que todos ocuparan el mismo punto, sin superposición y sin transparencia. Lo que vieron mis ojos fue simultáneo: lo que transcribiré, sucesivo, porque el lenguaje lo es. Algo, sin embargo, recogeré.

En la parte inferior del escalón, hacia la derecha, vi una pequeña esfera tornasolada, de casi intolerable fulgor. Al principio la creí giratoria; luego comprendí que ese movimiento era una ilusión producida por los vertiginosos espectáculos que encerraba. El diámetro del Aleph sería de dos o tres centímetros, pero el espacio cósmico estaba ahí, sin disminución de tamaño. Cada cosa (la luna del espejo, digamos) era infinitas cosas, porque yo claramente la veía desde todos los puntos del universo. Vi el populoso mar, vi el alba y la tarde, vi las muchedumbres de América, vi una plateada telaraña en el centro de una negra pirámide, vi un laberinto roto (era Londres), vi interminables ojos inmediatos escrutándose en mí como en un espejo, vi todos los espejos del planeta y ninguno me reflejó, vi en un traspatio de la calle Soler las mismas baldosas que hace treinta años vi en el zaguán de una casa en Fray Bentos, vi racimos, nieve, tabaco, vetas de metal, vapor de agua, vi convexos desiertos ecuatoriales y cada uno de sus granos de arena, vi en Inverness a una mujer que no olvidaré, vi la violenta cabellera, el altivo cuerpo, vi un cáncer en el pecho, vi un círculo de tierra seca en una vereda, donde antes hubo un árbol, vi una quinta de Adrogué, un ejemplar de la primera versión inglesa de Plinio, la de Philemon Holland, vi a un tiempo cada letra de cada página (de chico, yo solía maravillarme de que las letras de un volumen cerrado no se mezclaran y perdieran en el decurso de la noche), vi la noche y el día contemporáneo, vi un poniente en Querétaro que parecía reflejar el color de una rosa en Bengala, vi mi dormitorio sin nadie, vi en un gabinete de Alkmaar un globo terráqueo entre dos espejos que lo multiplican sin fin, vi caballos de crin arremolinada, en una playa del Mar Caspio en el alba, vi la delicada osatura de una mano, vi a los sobrevivientes de una batalla, enviando tarjetas postales, vi en un escaparate de Mirzapur una baraja española, vi las sombras oblicuas de unos helechos en el suelo de un invernáculo, vi tigres, émbolos, bisontes, marejadas y ejércitos, vi todas las hormigas que hay en la tierra, vi un astrolabio persa, vi en un cajón del escritorio (y la letra me hizo temblar) cartas obscenas, increíbles, precisas, que Beatriz había dirigido a Carlos Argentino, vi un adorado monumento en la Chacarita, vi la reliquia atroz de lo que deliciosamente había sido Beatriz Viterbo, vi la circulación de mi oscura sangre, vi el engranaje del amor y la modificación de la muerte, vi el Aleph, desde todos los puntos, vi en el Aleph la tierra, y en la tierra otra vez el Aleph y en el Aleph la tierra, vi mi cara y mis vísceras, vi tu cara, y sentí vértigo y lloré, porque mis ojos habían visto ese objeto secreto y conjetural, cuyo nombre usurpan los hombres, pero que ningún hombre ha mirado: el inconcebible universo.

Sentí infinita veneración, infinita lástima.

–Tarumba habrás quedado de tanto curiosear donde no te llaman -dijo una voz aborrecida y jovial-. Aunque te devanes los sesos, no me pagarás en un siglo esta revelación. ¡Qué observatorio formidable, che Borges!

Los zapatos de Carlos Argentino ocupaban el escalón más alto. En la brusca penumbra, acerté a levantarme y a balbucear:

-Formidable. Sí, formidable.

La indiferencia de mi voz me extrañó. Ansioso, Carlos Argentino insistía:

-¿Lo viste todo bien, en colores? En ese instante concebí mi venganza. Benévolo, manifiestamente apiadado, nervioso, evasivo, agradecí a Carlos Argentino Daneri la hospitalidad de su sótano y lo insté a aprovechar la demolición de la casa para alejarse de la perniciosa metrópoli, que a nadie ¡créame, que a nadie! perdona. Me negué, con suave energía, a discutir el Aleph; lo abracé, al despedirme, y le repetí que el campo y la serenidad son dos grandes médicos.

En la calle, en las escaleras de Constitución, en el subterráneo, me parecieron familiares todas las caras. Temí que no quedara una sola cosa capaz de sorprenderme, temí que no me abandonara jamás la impresión de volver. Felizmente, al cabo de unas noches de insomnio, me trabajó otra vez el olvido.

 

Posdata del primero de marzo de 1943. A los seis meses de la demolición del inmueble de la calle Garay, la Editorial Procusto no se dejó arredrar por la longitud del considerable poema y lanzó al mercado una selección de “trozos argentinos”. Huelga repetir lo ocurrido; Carlos Argentino Daneri recibió el Segundo Premio Nacional de Literatura2 . El primero fue otorgado al doctor Aita; el tercero, al doctor Mario Bonfanti; increíblemente, mi obra Los naipes del tahúr no logró un solo voto. ¡Una vez más, triunfaron la incomprensión y la envidia! Hace ya mucho tiempo que no consigo ver a Daneri; los diarios dicen que pronto nos dará otro volumen. Su afortunada pluma (no entorpecida ya por el Aleph) se ha consagrado a versificar los epítomes del doctor Acevedo Díaz.

Dos observaciones quiero agregar: una, sobre la naturaleza del Aleph; otra, sobre su nombre. Éste, como es sabido, es el de la primera letra del alfabeto de la lengua sagrada. Su aplicación al disco de mi historia no parece casual. Para la Cábala, esa letra significa el En Soph, la ilimitada y pura divinidad; también se dijo que tiene la forma de un hombre que señala el cielo y la tierra, para indicar que el mundo inferior es el espejo y es el mapa del superior; para la Mengenlehre, es el símbolo de los números transfinitos, en los que el todo no es mayor que alguna de las partes. Yo querría saber: ¿Eligió Carlos Argentino ese nombre, o lo leyó, aplicado a otro punto donde convergen todos los puntos, en alguno de los textos innumerables que el Aleph de su casa le reveló? Por increíble que parezca, yo creo que hay (o que hubo) otro Aleph, yo creo que el Aleph de la calle Garay era un falso Aleph.

Doy mis razones. Hacia 1867 el capitán Burton ejerció en el Brasil el cargo de cónsul británico; en julio de 1942 Pedro Henríquez Ureña descubrió en una biblioteca de Santos un manuscrito suyo que versaba sobre el espejo que atribuye el Oriente a Iskandar Zú alKarnayn, o Alejandro Bicorne de Macedonia. En su cristal se reflejaba el universo entero. Burton menciona otros artificios congéneres -la séptuple copa de Kai Josrú, el espejo que Tárik Benzeyad encontró en una torre (1001 Noches, 272), el espejo que Luciano de Samosata pudo examinar en la luna (Historia verdadera, I, 26), la lanza especular que el primer libro del Satyricon de Capella atribuye a Júpiter, el espejo universal de Merlin, “redondo y hueco y semejante a un mundo de vidrio” (The Faerie Queene, III, 2, 19)-, y añade estas curiosas palabras: “Pero los anteriores (además del defecto de no existir) son meros instrumentos de óptica. Los fieles que concurren a la mezquita de Amr, en el Cairo, saben muy bien que el universo está en el interior de una de las columnas de piedra que rodean el patio central… Nadie, claro está, puede verlo, pero quienes acercan el oído a la superficie, declaran percibir, al poco tiempo, su atareado rumor… La mezquita data del siglo VII; las columnas proceden de otros templos de religiones anteislámicas, pues como ha escrito Abenjaldún: En las repúblicas fundadas por nómadas es indispensable el concurso de forasteros para todo lo que sea albañilería”.

¿Existe ese Aleph en lo íntimo de una piedra? ¿Lo he visto cuando vi todas las cosas y lo he olvidado? Nuestra mente es porosa para el olvido; yo mismo estoy falseando y perdiendo, bajo la trágica erosión de los años, los rasgos de Beatriz.

 

fuente: http://www.ciudadseva.com/textos/cuentos/esp/borges/el_aleph.htm

 

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