Um método perigoso

O filme Um Método Perigoso traz à tona uma questão técnica e ética colocada por Freud em Observações Sobre o Amor Transferencial (1915), que seria quando a paciente se apaixona pelo seu analista. O filme mostra que a relação analítica entre Jung e Sabina passa também a envolver relações sexuais entre eles o que vai de encontro ao que é proposto por Freud. Este considera que o analista não deve satisfazer o desejo da paciente, portanto deve-se manter abstinente, o que Jung não faz, assim como também não deve recalcar este desejo, pois seria o mesmo que trazer um conteúdo inconsciente à consciência para em seguida recalcá-lo novamente.

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/psicologia/uma-analise-psicanalitica-do-filme-um-metodo-perigoso/57521

Crescimento populacional desde o ano 1 a.C.

 

 

O vídeo, publicado na página História e Geografia do Facebook, destaca o crescimento populacional desde o ano 1 A.C, projetando até 2050. Cada ponto amarelo significa 1 milhão de pessoas

Fonte: https://www.facebook.com/História-e-Geografia-173175446224123/

Entre a Razão e a Ilusão Desmistificando a Esquizofrenia

Entre a Razão e a Ilusão

Desmistificando a Esquizofrenia

Jorge Cândido de Assis, Rodrigo Bressan, Cecilia Cruz Villares

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/06/1295600-esquizofrenico-registra-em-livro-a-experiencia-de-enlouquecer.shtml

Espelho, Espelho meu! Espelho, Espelho de todos os neurônios!

Espelho, Espelho meu! Espelho, Espelho de todos os neurônios!

Como a nossa resposta a imigração pode preencher de medo outros cérebros.
 

Este artigo é uma resposta a situação bi-partidária e de conflitos políticos que o povo estadunidense vem enfrentando desde oito de novembro, quando escolheram o exempresário e magnata Donald Trump para conduzir os destinos daquele país.   Foi traduzido e adaptado por Luiz Fernando Silveira1 a partir do artigo da revista Psycology Today, disponível no link 2 postado em 04Fev2017.

 

A imigração tem sido o tema da semana. Foi o foco de uma Ordem Executiva Presidencial, e foi o tema da conversa entre o Presidente Trump e o Primeiro Ministro da Austrália, Malcolm Turnbull. Esta semana houve mais uma vez discussão sobre grupos: sobre quem de um grupo externo deve ser mantido fora e quem deve ser permitido manter-se dentro do grupo chamado os Estados Unidos da América.

Sempre que há dois ou mais grupos, uma parte extraordinariamente antiga do nosso cérebro entra em cena. Sem nos dar conta, nos tornamos motivados pelo medo: medo de que um membro de outro grupo se infiltre em nosso ninho e tome algo. A espécie humana ainda precisa de três coisas básicas para sobreviver. Assim como qualquer outra criatura viva, precisamos de alimento, abrigo e capacidade de reproduzir. Refiro-me a essas coisas como recursos, residência e relacionamentos. Por muito, muito tempo todos estes recursos foram limitados e escassos. Os recursos, as residências, e o número de relacionamentos eram limitados pelo tamanho do seu grupo. Nossos cérebros ainda acreditam muito neste modelo de recursos limitados.

E se um grupo acredita, mesmo se uma pessoa em um grupo acredita, então muitas pessoas e grupos podem acreditar. e Como isso acontece? Em parte devido a neurônios espelho.

“Hum! Isso parece bom. Gostaria de ter um desses!”. Quantas vezes você disse isso ou pensou isso olhando alguém comer ou beber um de seus alimentos favoritos? Ou começar a sentir medo, porque você viu alguém sentir medo? Assistindo um filme, você não se sente triste quando você vê alguém triste? Feliz quando você vê outros felizes? Com raiva se um personagem que você respeita se sente irritado? Essas emoções espelhadas podem ser atribuídas a uma parte específica de nosso cérebro chamada “neurônios espelho”.

Em 1996, uma equipe de pesquisadores da Universitá di Parma, na Itália, publicou um artigo inovador com o título simples; “Reconhecimento de ação no córtex premotor.” Andar, correr, qualquer movimento muscular é, em última instância, influenciado por uma seção na parte superior do cérebro chamada de córtex motor. Os cientistas registraram a atividade elétrica de 532 neurônios de dois macacos. Estes eram neurônios do córtex pré-motor,  localizado logo na frente do córtex motor. Os macacos sendo examinados foram amarrados com correias, e do outro lado foi apresentado um macaco agarrando uma banana. As células pré-motoras ficaram selvagens, sugerindo que o macaco observador estava se preparando para pegar uma banana, mas seus braços não conseguiam se mover. Seus cérebros estavam “espelhando” o movimento do outro macaco. [1]

Isso faz sentido a partir de uma perspectiva evolutiva. Se outro macaco está indo anhar uma vantagem comendo uma banana, o macaco observando começou a se preparar para fazer o mesmo, de modo a não perder um recurso de alimento.

Sabemos que os neurônios espelho não se limitam apenas a comer bananas ou realizar movimentos. Os neurônios espelhados também incluem sentimentos. É por isso que você pode ficar com medo quando você vê outra pessoa com medo: seus próprios neurônios espelho foram ativados. Na verdade, espelhamos um rosto assustado um segundo após ver um outro rosto. [2] Os neurônios-espelho são uma resposta biológica notável para o medo que vemos naqueles que nos rodeiam, e como muitos dos nossos sistemas biológicos foram aperfeiçoando-se para proteger a nossa sobrevivência e preservar a espécie.

Mas se você é influenciado por neurônios espelho, então todo mundo é influenciado por neurônios espelho. Uma vez ciente disso você pode reconhecer a influência sobre você, decidir se uma emoção que você sente é válida, e se não for, então pode mudar a emoção para influenciar a reação de neurônios espelho de outra pessoa.

As primeiras impressões acontecem surpreendentemente rápido. Você já andou por uma rua e observou um estranho? Instantaneamente você está avaliando se você pode confiar neles ou não.Essas primeiras impressões podem ser formadas dentro de 39 milisegundos. [3]

Cada vez que eu comprar algo e eu digo “Obrigado!” E noventa por cento do tempo a outra pessoa diz: “De nada3.” Estas não são palavras insignificantes. Eles decorrem do meu reconhecimento de que a pessoa fez algo por mim, compartilhou um recurso, provou seu valor. Quando eu lhes agradeço, reconheço seu valor. Nesse momento vc está usando a Teoria da Mente para ativar uma resposta de neurônio espelho. “De nada” significa que sou bemvindo ao seu grupo, para compartilhar seus recursos, residência e relacionamento. VOCÊ É BEM VINDO! E quando recebo isso me sinto mais seguro e com menos medo. Dessa forma, é mais provável se sentir protegido de um predador, e não ter que se preocupar sozinho. Essa sensação de segurança é então refletida na outra pessoa. E agora temos duas pessoas que podem compartilhar seus recursos, residências e relacionamentos. Ambos são mais fortes, não diminuídos em tudo. Agora imagine isso em uma escala nacional, internacional e global.

Os seres humanos espelham as emoções de outros seres humanos. Mas agora que você sabe isso você pode escolher que tipo de influência você quer ser.

Aplique isso ao assunto em discussão sobre imigração. Assim que um país proíbe a entrada de pessoas de outro uma variedade de emoções humanas básicas surgem, espelhando uma e outra vez por milhões de outros indivíduos.

Como os seus neurônios-espelho responderam ao nosso mundo após as eleições de 8 de novembro? Quem está te influenciando e como você deseja influenciar os dos outros. O Segundo Princípio da minha I-M Aproach4 é “Você não controlam ninguém. Você influencia a todos.”Que tipo de influência você quer ser?

Notas
1 Luiz Fernando Silveira é especializado em Engenharia de Manutenção, estudante de psicologia na Faculdade IBMR e apaixonado pela complexidade humana.
2 O artigo original foi escrito por Shrand, Joseph A., que atualmente é instrutor de psiquiatria na Harvard Medical School, assistente de psiquiatra infantil da equipe médica do Massachusetts General Hospital, e Diretor-médico da CASTLE (Clean and Sober Teens Living Empowered).
3 “De nada!” foi uma tradução livre e adaptada de “You’re welcome” que para o americano significa literalmente “Você é bem-vindo!”.

Referências:

[1] Brain. 1996 Apr;119 ( Pt 2):593-609. Action recognition in the premotor cortex.Gallese V, Fadiga L, Fogassi L, Rizzolatti G. [2] Emotion. 2007 May;7(2):447-57.More than mere mimicry? The influence of emotion on rapid facial reactions to faces. Moody EJ, McIntosh DN, Mann LJ, Weisser KR. [3] Emotion. 2006 May;6(2):269-78. Very first impressions. Bar M, Neta M, Linz H.

Outsmarting Anger: Seven Strategies for Defusing Our Most Dangerous Emotion. Shrand, J with Devine, L. Josey Bass, 2013

Do You Really Get Me? Finding Value in Ourselves and Others through Empathy and Connection. Shrand, J with Devine, L. Hazelden Press 2015

4 I-M Aproach é uma metodologia criada pelo Dr. Joseph A. Shrand que prevê que cada célula em nosso corpo, e cada domínio dos nossos relacionamentos está fazendo o melhor que pode em cada momento particular. Os quatro domínios são representados pela soma do seu ambiente doméstico, a soma do seu ambiente social, a soma dos seus conceitos individuais e atuais, ou seja, como eu me vejo e como eu acho que os outros me vêem e finalmente a integral do atual potencial genético/biológico/estado evolutivo atual. Diponível em < http://www.drshrand.com/blog/m-story/&gt;. Acesso em 09 de fev. 2017.

Trump e a involução da espécie.

Segundo o Aurélio, a ideia de preconceito refere-se  ao “Conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; ideia preconcebida. 2. Julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que os conteste; prejuízo. 3. P. ext. Superstição, crendice; prejuízo. 4. P. ext. Suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos, religiões, etc.:”

O preconceito tem um caráter social. Os seres humanos nascem livres de preconceitos; eles são construídos socialmente e geralmente servem para manter e consolidar a coesão social, a integração do grupo ou da sociedade contribuindo com a construção da ordem social que resulta da implantação, através de processos de socialização, dos valores ou da visão de mundo dos setores dominantes.

Devemos diferenciar, contudo, o preconceito do etnocentrismo. A noção de etnocentrismo, é utilizada para designar as visões que identificavam à fronteira da humanidade com a própria sociedade, língua, classe social, religião ou caráter nacional, colocando, tudo o que se encontra  além dessa fronteira, no terreno da natureza, do não civilizado ou fora da humanidade, com eram, por exemplo, as representações cristãs sobre os muçulmanos durante as Cruzadas dos séculos XI ao XIII. A sociologia nos ensina que olhar e explicar o mundo desde um ponto de vista centrado na própria experiência social e cultural é uma disposição universal dos seres humanos. Sendo a humanidade sócio-centrica, o etnocentrismo é. do ponto de vista sociológico, um fenômeno normal

O preconceito, por sua vez, se caracteriza por uma tomada de posição moral. O indivíduo com predisposição para o preconceito rotula e desqualifica o comportamento diferente, deslegitimando o mundo daqueles cujos valores não coincidem com os valores do grupo de referência. Geralmente o preconceito apresenta-se com um conteúdo negativo, isto é, na medida em que não é facilitador de um processo reflexivo que ajude a contemplar e refletir sobre  a diversidade humana permitindo, de alguma maneira, o exercício da tolerância. Assim, os juízos provisórios que, mesmo desmentidos pela análise científica ou por argumentos racionalmente elaborados, se mantém inalterados, são considerados preconceitos. Dependendo de sua intensidade o preconceito pode ser perigoso para a sociedade e para o indivíduo.  Os elevados índices de violência orientados por preconceitos contra diversas minorias atestam o perigo que uma atitude preconceituosa, intolerante, de negação das diferenças, pode representar para a sociedade. A história está cheia de exemplos sobre a “banalidade do mal” orientada por atitudes preconceituosas – racistas ou homo fóbicas – cuja intensidade é bem maior nos contextos nos quais a   liberdade de opinião não pode ser exercida.

A liberdade de opinião, consagrada como direito humano fundamental desde a Declaração de Direitos na Revolução Francesa, em 1789, encontra-se limitada pelo direito do outro de não ser difamado, discriminado ou violentado por suas escolhas de consciência ou preferências afetivas e sexuais.

Nos tempos que seguem vamos, ao que parece, na contramão da perspectiva Darwinista. Tudo indica que involuímos.